
A perícia aponta que Isabelle Caracristi morreu após uma precipitação voluntária, caracterizando suicídio, segundo informações técnicas mencionadas pelo delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez. Apesar dessa conclusão pericial sobre a queda, a investigação continua em aberto para esclarecer as circunstâncias que antecederam a morte e verificar se houve participação de terceiros, inclusive por meio de eventual induzimento ou instigação ao suicídio.
Em entrevista, Gutiérrez afirmou que a Polícia Civil não descarta outras possibilidades e que a própria representação pela prisão preventiva de João Munhoz Neto considerou a necessidade de apurar uma possível conduta de induzimento ou instigação ao suicídio.
“Não é descartado”, afirmou o delegado-geral ao explicar que ainda são analisados o que aconteceu antes da queda, a presença de outras pessoas no ambiente, os horários em que João esteve no apartamento, quando deixou o local e quando retornou.
Segundo Márcio Gutiérrez, as informações técnicas produzidas pelos órgãos de perícia apontam para uma precipitação voluntária. A conclusão está relacionada à dinâmica da queda e não encerra, por si só, a investigação sobre as circunstâncias que podem ter levado Isabelle a esse ato.
O delegado-geral explicou que os resultados periciais são fundamentais para direcionar o trabalho policial, podendo confirmar ou afastar determinadas linhas de investigação.
No caso de Isabelle, a Polícia Civil mantém outras frentes de apuração justamente porque a análise não se limita à forma como ocorreu a queda. Os investigadores também procuram entender o contexto imediatamente anterior à morte e se houve alguma conduta de terceiros relacionada ao episódio.
A investigação continua, portanto, mesmo diante da conclusão técnica de que a precipitação foi voluntária.
Uma das linhas mantidas pela Polícia Civil é a possibilidade de que Isabelle tenha sido submetida a comportamentos que possam ter contribuído para o desfecho.
Gutiérrez afirmou que a representação pela prisão de João foi feita também para verificar uma possível conduta de induzimento ou instigação ao suicídio.
Isso significa que, para a investigação, são questões diferentes: a perícia pode apontar que a queda ocorreu voluntariamente, enquanto a apuração criminal busca esclarecer o que levou Isabelle até aquele momento e se alguém teve alguma participação nesse processo.
O delegado também afirmou que a Polícia Civil investiga se houve eventual auxílio, quem estava no ambiente, os horários de permanência de João no apartamento e o que aconteceu durante o período em que ele esteve fora.