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Fim das bets: entidades prometem ir à Justiça contra proibição do governo e cobram ressarcimento

Associações afirmam que medida pode empurrar apostadores para sites clandestinos; governo diz que outorgas de R$ 30 milhões não serão devolvidas

26/09/2026 às 08h35
Por: Thiago Rodrigues Fonte: Olhar Digital
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Foto: Marcelo Theobald
Foto: Marcelo Theobald

Entidades que representam o setor de apostas esportivas afirmam que vão recorrer à Justiça contra a Medida Provisória (MP) que proibiu as bets no Brasil. As associações também contestam a decisão do governo de não devolver os valores pagos pelas empresas pelas autorizações para operar no país.

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e operadoras licenciadas divulgaram um manifesto nesta sexta-feira (25), no qual afirmam que “proibir não é proteger”. Segundo as entidades, a proibição das plataformas legalizadas não eliminaria as apostas, mas poderia levar os usuários para sites clandestinos, onde não existem os mesmos mecanismos de fiscalização e proteção.

“A proibição total das apostas de quota fixa representaria uma ruptura do marco regulatório construído pelo próprio Estado brasileiro e colocaria em risco uma atividade econômica que, desde janeiro de 2025, opera sob autorização, fiscalização e regras definidas pelo Governo Federal”, afirmaram as associações.

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O presidente-executivo do IBJR, Carlos Lima, também disse à CNN que as entidades pretendem recorrer à Justiça. “Vamos acionar as vias judiciais”, afirmou.

  • As associações afirmam que 31 milhões de pessoas estão ativas em plataformas legalizadas e que o mercado regulado conta com mecanismos, como verificação de idade e CPF, autoexclusão, políticas de saúde mental e restrições para beneficiários de programas sociais;
  • Segundo as entidades, cerca de três milhões de beneficiários de programas sociais já foram bloqueados e 1,2 milhão de pedidos de autoexclusão foram registrados;
  • O manifesto também afirma que o governo já bloqueou mais de 66 mil domínios ligados a sites de apostas ilegais, mas que milhares continuam ativos e novos endereços são criados diariamente;
  • As entidades dizem ainda que o mercado clandestino representa atualmente 41% do volume apostado no país e poderia concentrar toda a demanda caso as plataformas legalizadas deixassem de operar;
  • Por isso, defendem alternativas à proibição, como aumento da fiscalização, limites de depósito e de tempo, regras mais rígidas para publicidade, medidas relacionadas à saúde mental e combate aos sites clandestinos;
  • Lima também questionou a relação entre o fim das bets e o combate ao endividamento das famílias. Segundo ele, um estudo da LCA Consultores citado à CNN aponta que os gastos familiares com apostas representam 0,46% das despesas, percentual inferior ao gasto com serviços de streaming.

Outro ponto de conflito é o dinheiro pago pelas empresas para obter autorização de funcionamento. Cada plataforma autorizada pagou uma outorga de R$ 30 milhões para operar regularmente no Brasil. Originalmente, a permissão deveria valer até o fim de 2029.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira que o governo não devolverá os valores pagos pelas empresas. Segundo ele, a autorização concedida em 2024 era uma “relação precária válida para aquele momento”.

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