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Investigação da PF contra desvios da saúde no Ceará iniciou com apreensão de R$ 345 mil em espécie com contador

Investigação começou após apreensão de dinheiro em espécie com contador ligado à Coaph em 2024. Análise de aparelhos eletrônicos levou à identificação de mais de 80 empresas de fachada.

12/10/2026 às 09h37
Por: Rita de Cássia Fonte: G1 Ceará
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Uma apreensão de dinheiro em espécie com um contador levou a Polícia Federal a investigar o esquema suspeito de desviar recursos públicos destinados à saúde no Ceará. A apuração começou em setembro de 2024 e deu origem à Operação Coaptação, deflagrada pela PF para investigar suspeitas de fraude em contratos públicos, lavagem de dinheiro e corrupção.

O g1 teve acesso ao processo judicial que detalha como o esquema teria funcionado. Segundo a investigação, empresas de fachada eram usadas para emitir notas fiscais por serviços que não teriam sido prestados. Os recursos eram transferidos para essas empresas e depois sacados em espécie ou utilizados em operações financeiras para ocultar sua origem.

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Em 25 de setembro de 2024, a Polícia Federal abordou o contador César Agamenon Carvalho Barbosa após um saque de R$ 345 mil em uma agência bancária. O dinheiro havia sido retirado de uma conta da empresa New Consultoria e Assessoria Ltda. e seria levado à sede da Cooperativa de Trabalho de Atendimento Pré e Hospitalar (Coaph), em Fortaleza.

Na ocasião, foram apreendidos R$ 437.912 em cédulas, além de dois celulares e um notebook. Em depoimento, o contador afirmou que o dinheiro seria usado para pagar médicos plantonistas e fornecedores da cooperativa. Ele também informou que havia sacado outros R$ 400 mil no dia anterior.

A suspeita sobre a empresa utilizada nas movimentações aumentou quando os investigadores identificaram que o homem registrado como proprietário formal da New Consultoria estava preso na Unidade Prisional de Triagem e Observação Criminológica de Aquiraz, no Ceará.

A investigação passou a apurar se a empresa era usada para ocultar os responsáveis pelas movimentações financeiras.

Análise de aparelhos revelou mais de 80 empresas

A análise dos celulares e do notebook apreendidos com o contador ajudou os investigadores a identificar outras empresas e movimentações financeiras suspeitas.

O grupo teria utilizado mais de 80 empresas de fachada para emitir notas fiscais de serviços como consultorias, reformas e locação de veículos. A suspeita é que os documentos fossem usados para justificar transferências de recursos públicos por serviços que não teriam sido efetivamente prestados.

A dimensão das movimentações chamou a atenção dos investigadores: apenas quatro dessas empresas teriam movimentado cerca de R$ 20 milhões em aproximadamente 100 dias.

A apuração também identificou articulações para encerrar formalmente empresas que já teriam sido utilizadas no esquema.

Os documentos da investigação apontam que a Coaph mantinha um espaço conhecido como “sala do dinheiro”, equipado com máquinas para contar cédulas.

O local era utilizado para organizar e controlar grandes quantias em espécie. Os investigadores suspeitam que a estrutura facilitava a circulação de recursos fora do sistema bancário e o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.

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