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'Cogitei ir para a Itália', diz mãe de cearense que sobreviveu ao naufrágio.

'Cogitei ir para a Itália', diz mãe de cearense que sobreviveu ao naufrágio.

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
16/01/2012 às 15h21 Atualizada em 16/01/2012 às 15h21
'Cogitei ir para a Itália', diz mãe de cearense que sobreviveu ao naufrágio.
Foto: Reprodução

“Por uma noite, minha filha poderia ter tido uma viagem mais calma”, diz a advogada Fernanda Buttergeit, mãe de Lia Cavalcante, uma cearense de 17 anos que sobreviveu ao naufrágio do cruzeiro Costa Concordia na sexta-feira (13) na Itália. De acordo com Fernanda, Lia acompanhava a família do namorado para comemorar as bodas de ouro dos avós dele em uma viagem pela Europa desde o dia 29 de dezembro.


''Cogitei ir para a Itália imediatamente quando ouvi minha filha dizendo que estava com frio, fome, sede e descalça”, disse.  O grupo composto por 17 cearenses embarcou no navio no dia 4 de janeiro e deveria desembarcar na manhã de sábado (14) no Porto de Savona, na Itália, mas foi surpreendido com o acidente um dia antes, afirma.  “Não desejo para nenhuma mãe o que senti”, diz a advogada que inicialmente não teve noção da proporção do acidente porque foi avisada pela filha por telefone poucas horas depois do resgate e antes de a imprensa ter repercutido o caso: “Fui privilegiada, pois a Lia me ligou antes de sair na televisão.  Ela falou que o navio havia encalhado e que estava em uma ilha porque todos tiveram de abandonar a embarcação. A Lia pediu que eu não me preocupasse quando visse algo na TV ou internet. Fiquei aflita e fui procurar mais informações” relata. Durante o acidente, duas pessoas do grupo desapareceram porque não estavam jantando com os demais, mas foram encontradas. Fernanda havia visto as primeiras imagens divulgadas do naufrágio quando recebeu o segundo telefonema da filha na madrugada de sábado (14). “Me desesperei porque já havia assistido aos vídeos do navio afundando e das pessoas correndo.  ''Cogitei ir para a Itália imediatamente quando ouvi minha filha dizendo que estava com frio, fome, sede e descalça”, conta sobre o estado de Lia que perdeu toda a bagagem no naufrágio e teve de fugir apenas com a roupa que estava jantando. Os telefonemas estavam sendo feitos com o celular do namorado de Lia e com os aparelhos dos lugares onde ela se instalou após fugir do navio.