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As rabecas e a cultura do Ceará

As rabecas e a cultura do Ceará

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
17/03/2012 às 08h51 Atualizada em 17/03/2012 às 08h51
A ideia de fazer um evento voltado exclusivamente para exaltar as rabecas veio há cerca de três anos, mesma época em que o professor e pesquisador Gilmar de Carvalho decidiu percorrer o Estado para tentar catalogar a presença do instrumento nos municípios cearenses. Quem lembra é Erivaldo Casimiro, coordenador geral do II Ceará das Rabecas, que acontece, com a curadoria do próprio Gilmar, de hoje até segunda-feira, no Sesc Iracema. Neste ano, o homenageado será o mestre Antônio Hortênsio, de Varjota.
A ideia da iniciativa surgiu da necessidade de resgatar e exaltar o instrumento, cujos primeiros registros no Estado remetem ao início do século passado. "Sua origem é árabe. Há registros do uso das rabecas em festas e manifestações populares antes mesmo até da sanfona e do acordeom", revela Erivaldo. "As pessoas usavam o instrumento para tocar o que hoje conhecemos como forró em diversas ocasiões".  Portanto, acrescenta ele, o Ceará das Rabecas quer aproximar a cultura popular da academia; e a antiga da nova geração de rabequeiros. Para isso, a programação inclui apresentações musicais, palestras, cursos e oficinas, como a que é voltada para a capacitação de luthiers. "O instrumento estava correndo o risco de desaparecer. O conhecimento era passado apenas de pais para filhos. Com o evento, temos a oportunidade de reforçar a difusão deste importante capítulo da cultura local", ressalta ErivaldoInformalmente, as atividades do II Ceará das Rabecas começaram, ontem, com o lançamento do vídeo-documentário "Alma de Rabeca", de Henrique Dídimo, na Casa Amarela Eusélio Oliveira. Na abertura oficial, marcada para logo mais, às 18h, são esperadas as presenças de Sérgio Mamberti, secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura (MinC), Francisco Pinheiro, secretário da Cultura do Estado do Ceará, Márcio Caetano, secretário interino de Cultura de Fortaleza e demais autoridades, além de personalidades da área cultural. Na mesma ocasião, haverá noite de autógrafos do livro "Rabecas do Ceará", de Gilmar de Carvalho com fotos de Francisco Sousa, que também assina a exposição "Mestre Vino - O luthier de Irauçuba", aberta durante o evento.  Nomes como Cristiano Pinho, Grupo Syntagma, Di Freitas e a Orquestra Armorial do Cariri, Beto Lemos, Marivalda Kariri, Jeferson Leite, Reisado de Novo Oriente, Babi Guedes, Fulô da Aurora, Orquestra Armorial do Cariri e Dona Zefinha são algumas das atrações confirmadas. O músico e pesquisador suíço, radicado em São Paulo, Thomas Rohrer, ministrará a oficina Toque da Rabeca e também se apresentará, num dos shows mais esperados desta edição do Ceará das Rabecas. Haverá, ainda, oficinas de xilogravura, de confecção de rabecas e workshop de fotografia.

Caderno 3