Hoje as pessoas têm como se prevenir", justifica.As filhas herdaram a fertilidade da mãe e Lindinalva cuida não apenas dos filhos, mas dos netos que foram nascendo e passando a morar sob o mesmo teto. "Moram todos, com neto nascendo, bisneto nascendo. É tudo misturado. Quase sou eu quem crio meus netos. A gente vive bem, na união. Tenho carinho, todo mundo perto", diz.Sobre o cuidado com os filhos, ela se mostra resignada aos poderes divinos que levaram a maioria da prole antes mesmo de completarem um ano de idade. "Adoecia e em pouco tempo morria. Antigamente não tinham as vacinas como hoje. No começo, eu ficava bem triste. Depois eu comecei a entender que era a vontade de Deus. Era dele e ele queria levar", diz, conformada.Para alimentar tantas bocas, Lindinalva sempre ajudou o marido no sustento da família. Mas sempre trabalhou em casa para não tirar os olhos dos filhos. O casal manteve um bar durante muitos anos, o "bar do seu Zé", na praça central de Maracanaú, na Grande Fortaleza, onde vivem há cerca de 40 anos. Atualmente, ela ajuda a filha mais velha em uma fábrica de roupas. "A gente fica doente quando está parada", afirma.Lindinalva e José se conheceram no Crato, no Sul do Ceará, onde ele era empregado da Rede Ferroviária Federal (Refesa), depois da Sudene, mas adoeceu e parou. Os dois se conheceram por meio do pai de Lindinalva, que trabalhava com José. A paixão, que deu tantos frutos, ainda permanece até hoje, ela garante. "Nós dois somos uma pessoa só. A mesma paciência, o convívio", afirma.Durante todo esse tempo, Lindinalva teve muitas "dores de cabeça" para manter os filhos na linha. Perdeu um deles ainda adolescente em consequência da violência juvenil. Mas se diz gratificada por ter conseguido colocar todos na escola, por conta do pouco estudo que teve. "Era difícil, mas a gente conseguia com boa vontade. Até com os netos, os pequenos. A intenção é botar na escola", afirma.Planos para o futuro, ela diz que já não tem. Mas para os descendentes, não vê outro caminho: "Eu gostaria que eles conseguissem ser pessoas de bem. Cada um com seu trabalho. Só quem pode dar isso a eles é o estudo".
G1/CE