
A depressão e a ansiedade já aparecem como o segundo maior motivo de licenças trabalhistas no Brasil, segundo dados recentes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O cenário coloca a saúde mental entre as principais questões de saúde pública e reforça, durante o Setembro Amarelo, a necessidade de ampliar ações de prevenção e acesso ao atendimento psicológico.
O alerta também acompanha uma tendência observada em escala global. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem com algum tipo de transtorno mental. Diante desse cenário, a Frente Parlamentar da Educação de Qualidade (FPeduQ) destaca o papel das Instituições de Ensino Superior (IES) particulares na ampliação do acesso ao cuidado psicológico, especialmente por meio das clínicas-escola de Psicologia.
Além de oferecerem suporte aos próprios estudantes, diversas instituições de ensino superior mantêm clínicas-escola abertas à comunidade externa.
Os espaços oferecem atendimento gratuito ou a preços populares, conhecidos como custos sociais, e funcionam como uma alternativa para pessoas que precisam de acompanhamento psicológico e enfrentam dificuldades para acessar serviços particulares. Em Fortaleza, a Universidade de Fortaleza (Unifor) mantém o Serviço de Psicologia Aplicada (SPA), instalado no Núcleo de Atenção Médica Integrada (NAMI). O serviço atende crianças, adolescentes e adultos e utiliza diferentes abordagens psicoterapêuticas.
Outra instituição que mantém esse tipo de atendimento é a Uninassau, que possui clínicas-escola equipadas para oferecer serviços de psicoterapia à população de diferentes faixas etárias. As iniciativas ampliam a rede de atendimento psicológico disponível à comunidade e aproximam a formação acadêmica das demandas sociais relacionadas à saúde mental.
Para a FPeduQ, a discussão sobre saúde mental não deve se limitar ao atendimento após o surgimento de uma crise. A entidade defende a adoção de ações permanentes de prevenção e acompanhamento dentro do ambiente escolar. Nesse contexto, a capacitação das equipes pedagógicas é apontada como uma das medidas para identificar sinais de sofrimento emocional e evitar que situações de crise se agravem.
A presidente da FPeduQ, deputada federal Socorro Neri (PP-AC), destaca que o cuidado com a saúde mental deve ultrapassar as ações concentradas no mês de setembro.
“O Setembro Amarelo é um chamado de alerta, mas a atenção à saúde mental precisa ser um compromisso contínuo. As instituições de ensino particular cumprem um papel social extraordinário ao abrirem suas clínicas-escola para a população, democratizando o atendimento psicológico com serviços gratuitos ou a custos sociais.”
Para a Frente, o fortalecimento das clínicas-escola e a capacitação socioemocional de educadores devem integrar uma agenda permanente das instituições de ensino. A proposta é ampliar a atuação das universidades para além da formação acadêmica, incorporando também ações de prevenção, acolhimento e promoção da saúde mental. O estímulo a essas iniciativas, segundo a FPeduQ, reforça o papel social das instituições particulares de ensino e contribui para uma formação que considere também o bem-estar e o desenvolvimento integral dos estudantes e da comunidade.