23°C 37°C
Santa Quitéria, CE
Publicidade

Da “municipalização” ignorada à contestação das urnas: os erros de Ciro no Ceará

Confira a coluna do jornalista Reginaldo Silva

07/10/2026 às 15h56
Por: Reginaldo Silva
Compartilhe:
Foto: Nayana Melo
Foto: Nayana Melo

No dia da convenção do PSDB para lançar Ciro ao Governo do Ceará, participei da coletiva de imprensa com o então candidato. Na ocasião, questionei Ciro sobre a estratégia que adotaria para combater a “municipalização” da campanha de Elmano e a força das máquinas municipais, citando uma declaração do senador Cid Gomes.

Ciro desdenhou do assunto, não respondeu à pergunta e, em tom de ironia, pediu que, da próxima vez que me encontrasse com Cid, indagasse a ele, que sabia de tudo, sobre os números da Mega-Sena, fugindo completamente de um tema que mais tarde seria uma das principais causas de sua derrota.

Continua após a publicidade
Anúncio

Nunca pedi os números ao Cid, mas ele estava certo. A vantagem de Ciro em Fortaleza e em Sobral foi engolida pela grande maioria dos municípios cearenses. A “municipalização” da eleição no Ceará teve lugar de destaque. Os prefeitos de municípios de pequeno e médio porte consolidaram a vitória de Elmano.

Na minha leitura, um dos motivos que contribuiu para a derrota do tucano, além da falta de identidade política em tempos de polarização, foi a falta de coragem de abraçar de cara o bolsonarismo no Ceará, uma vez que a aliança estava formalizada. Talvez tivesse sido mais vantajoso para ele naquele momento.

Ciro ficou a campanha inteira em cima do muro. O ex-governador assumiu a bandeira da mudança, apostando em uma onda de centro que foi varrida nessa eleição pela direita e pela esquerda. O modelo de centro da Era FHC e dos primeiros mandatos de Lula é um mundo que já não existe mais.

Ciro perdeu porque não conseguiu colar a bandeira da mudança ao antipetismo identificado com a força do bolsonarismo. O sentimento de mudança existia, tanto que foi captado nas urnas, mas Ciro não tinha essa identidade política, enquanto seu opositor tinha posicionamento político, identificação com o PT, com o lulismo e com as pautas da esquerda.

Ao se pronunciar pela primeira vez após a derrota, em seu “Manifesto ao povo cearense”, agora o tucano se aproxima ainda mais do comportamento bolsonarista.

Ao não reconhecer a vitória de Elmano, falar em fraude e anunciar uma contestação judicial, Ciro adota um discurso que remete à contestação eleitoral que marcou o bolsonarismo. A diferença estará no conteúdo das provas que sua campanha apresentará à Justiça e na resposta das instituições.

A grandeza de um líder se mostra na derrota. Em vez de imitar Bolsonaro, Ciro deveria ter recorrido ao exemplo de um outro tucano, Fernando Henrique Cardoso. Este deu aula de democracia, ao comparecer à cerimônia de posse e passar a faixa de presidente para Lula, após José Serra ser derrotado pelo petista.

Uma eleição termina quando as urnas falam. Cid acertou sobre a municipalização. Agora, a história vai registrar também como cada lado reagiu ao resultado.

Ponto Político, com Reginaldo Silva
Sobre o blog/coluna
Professor, radialista e jornalista. Faz análises dos bastidores e personagens da política cearense.
Ver notícias
Santa Quitéria, CE
36°
Tempo limpo

Mín. 23° Máx. 37°

34° Sensação
13.68km/h Vento
17% Umidade
0% (0mm) Chance de chuva
05h23 Nascer do sol
05h33 Pôr do sol
Qui 37° 22°
Sex 38° 22°
Sáb 37° 23°
Dom 37° 24°
Seg 37° 23°
Atualizado às 14h13
Publicidade
Publicidade