
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que mudar as regras de funcionamento dos canais de WhatsApp “pode ser necessário”, de acordo com ele, para beneficiar o processo eleitoral. Segundo o magistrado, “quando se trata de tecnologia, não podemos afirmar que a regulamentação existente é suficiente para tudo”.
A fala, nesta sexta-feira (23), ao O Globo, ocorre dois dias depois de o TSE ter iniciado a discussão acerca da possibilidade de restringir os canais de WhatsApp dos candidatos à Presidência da República 48h antes do pleito, no domingo (25).
Enquanto o canal “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), possui quase 9 milhões de seguidores, o canal “Tropa do Flávio” possui mais de 2 milhões. A diferença entre os dois canais é de mais de 6 milhões de seguidores.
Segundo Kassio, na quarta, quando se posicionou contra criar o regramento naquela ocasião, ele “não disse que essa norma não seria aprovada”, mas que “não iria mais capitanear a iniciativa”.
“Isso não quer dizer que qualquer colega da Corte não possa fazer uma proposta. Não estou tolhendo a liberdade de nenhum ministro. O que eu disse é que a iniciativa não partirá da presidência do TSE”, ressaltou.
O deputado Janones, em vídeo divulgado nas suas redes sociais, acusou o TSE de censura. Ele afirmou que existe a possibilidade de o canal ser derrubado durante o debate da Globo, às 21h20 desta sexta-feira (23).
De acordo com ele, a forma de impedir isso seria fazer com que o Exército do Lula chegue a 10 milhões de seguidores.
“Se a gente meter 10 milhões até a hora do debate, eles passam a não ter condições morais de praticar isso que querem praticar”, disse, afirmando que, se um canal de 10 milhões for derrubado, seria um “escândalo mundial”.
O parlamentar acrescentou ainda que já teve convite de sete países para falar sobre as redes sociais e o algoritmo após as eleições presidenciais. “O mundo está de olho no que está acontecendo no Brasil”, afirmou.
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