A homofobia em Itatira ganhou destaque quando, no início do ano, surgiu uma campanha contra casais gays dispostos a adotar filhos na cidade. Na época, os homossexuais afirmaram que ainda existem ações repressivas que vigoram no município e chegam ao extremo de punir os gays com apedrejamento. A reportagem publicou casos de alguns deles, como o de Kyara Nanachara Medeiros, 26 anos. Ela assumiu sua orientação sexual aos 16 anos, comprou roupas femininas e passou a adolescência sofrendo perseguições.
Projeto
Passados praticamente três meses, o Projeto de Lei Nº 10/2015 apresentado na Câmara Municipal, na sexta-feira passada, voltou a trazer o problema da homofobia na cidade à tona. O autor da proposição, vereador Anastácio Ribeiro Filho, disse que já retirou a proposta da Comissão de Justiça e Redação e prometeu conversar com representantes de movimentos LGBTs para reformular sua proposta, que pretende criar a "Semana Municipal de Valorização da Família". Para os grupos LGBTs, a Justificativa do Projeto denota preconceito homofóbico.
No fim de fevereiro, a Câmara Técnica Permanente de Monitoramento, Prevenção e Combate da Violência Contra a População LGBT do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Diretos de LGBT (CNCD/LGBT) já havia analisado denúncias de entidades de defesa dos direitos humanos de Itatira, feitas através do "Disque 100 - Disque Direitos Humanos", sobre as perseguições sofridas por gays, e deliberou pelo envio do referido colegiado.
No dia 20 de março o CNCD/LGBT recebeu a denúncia sobre o projeto do vereador Ribeiro Filho. Ao tomar conhecimento do conteúdo, o Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, aprovou, na quarta-feira (25), moção de repúdio ao Poder Legislativo de Itatira e reafirmou sua disposição de fortalecer o diálogo com a Câmara e o Movimento LGBT.
Diário do Nordeste