O número assusta, mas pode ser compreendido por englobar pedidos de exoneração e aposentadorias.
Nos colégios de nível médio, sob a responsabilidade da Secretaria da Educação do Ceará (Seduc), a situação não é diferente. Com uma rede composta por 705 escolas com o atendimento de mais de 400 mil alunos, 243 professores pediram para sair da rede e, em média, 270 profissionais se aposentaram a cada ano, afirma a assessoria da Pasta.
O presidente do sindicato da Associação dos Professores de Estabelecimentos Oficiais do Ceará (Apeoc), Anízio Melo, ressalta que os números alarmantes se repetem em todo o Brasil. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), no País, há uma carência de 250 mil professores para atuar nas salas de aulas, principalmente, na área de ciências.
"A quantidade de profissionais que se forma não é suficiente para atender a demanda. Pelo fator salarial, há muitos abandonos. Houve uma evolução na estrutura das escolas, mas ela não é universalizada. Em Fortaleza, encontramos situações muito complexas", garante o presidente, que acrescenta a dificuldade de relacionamento com os estudantes em uma sala lotada.
Para muitos, a estabilidade de um concurso público junto ao sonho de uma renda mensal garantida já não são atrativos suficientes para atuar dentro das salas de aula.
Hoje, o professor que ingressa na rede municipal e está no início de carreira, recebe R$ 14,11 por hora/aula ministrada. Nas escolas governamentais, o docente nas mesmas condições ganha R$ 2.840,17, mais auxílio transporte e vale alimentação.
Diário do Nordeste