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SOS Jacurutu

SOS Jacurutu

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
19/11/2015 às 23h27 Atualizada em 19/11/2015 às 23h27
SOS Jacurutu
Foto: Reprodução
Entretanto, o tempo se encarregou de mostrar a suposta premissa não era verdadeira, visto que a ocupação desordenada do espaço urbano, o desmatamento das matas ciliares, a constante retirada de sedimentos (areia) do rio para construção de imóveis, além do tratamento inadequado dispensado ao saneamento básico, teve como única vítima o rio Jacurutu.
O outrora “rio da vida” veio a transformar-se gradativamente pela ação humana num mortífero canal de esgoto de água pútrida a céu aberto. Certamente que tem mais de 30 anos a esta altura dos acontecimentos, deve se recordar com uma forte dose de nostalgia do espetáculo das cheias, dos banhos na prainha (trecho do rio entre os bairros Pereiros e Piracicaba), da dificuldade da travessia do rio pelos bairros das Flores e dos Pereiros e até mesmo de pescarias.
Teríamos nós, habitantes de Santa Quitéria decretado a morte do rio? Até que ponto fomos culpados por tal degradação? Na minha modesta opinião caro leitor faltou-nos certa maturidade para lidar com a questão ambiental, independente de condição socioeconômica ou mesmo de autoridade investida, já que nos últimos 30 anos, a cidade de Santa Quitéria passou pelo maior crescimento  urbano verificado ao longo de sua história. Neste ínterim, é válido ressalta que já havia legislação ambiental específica nos âmbitos federal, estadual e municipal, que obviamente passaram por profundas modificações para se adequar a nova realidade ambiental. No entanto, nós quiterienses, de uma foram ou de outra não conseguimos acompanhar a evolução da legislação em vigor e por omissão ou por ignorância, como se diz no adágio popular, “se deixou correr solto”.
Não raras vezes apoiados na mística de que as cheias sazonais limpariam o leito do rio e por tabela suas águas, esta crença popular só vem a ampliar o problema, já que a poluição ao longo dos anos vem se espalhando ao longo dos seus 120 quilômetros de extensão, ou seja, prejudicando as demais comunidades ribeirinhas. O fato de a cidade de Santa Quitéria está desprovida de uma estação de tratamento de esgoto, só vem a agravar a cada dia esta situação desesperadora em que se encontra o rio.  Praticamente sem forças para reagir a sanha avassaladora dos poluentes, o Jacurutu agoniza pela falta de ações efetivas para sua despoluição, exceto algumas medidas paliativas de remoção de parte dos sedimentos degradados.
Afinal, a pergunta que não quer calar: Continuará o Jacurutu sendo castigado impiedosamente pelos esgotos do meio urbano, trazendo inúmeras conseqüências, como por exemplo, a praga de muriçocas que assola a cidade praticamente o ano inteiro? Com a palavra, as autoridades.

Fernando Araújo é professor e ex-radialista.