Quando adquiridos, os patinetes foram alvo de bastante polêmica. À época, o valor empregado era o equivalente a um carro popular zero km. A eficácia dos aparelhos, que chegam a 20 km/h, também foi questionada.
Em agosto de 2013, o Governo informou que encaminhou os patinetes para manutenção. Era necessário realizar a troca das baterias dos equipamentos. A população, àquela altura, já se perguntava se os pequenos transportes seriam vistos novamente no calçadão. Entretanto, àquela época, a informação dada pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) era que os patinetes retornariam "o mais breve possível", apesar de não haver prazo para isso.
Estudo
Já se passaram dois anos e cinco meses desde a ida dos equipamentos para a assistência técnica. E onde estão os patinetes? De acordo com a SSPDS, os aparelhos estão aposentados. Um estudo realizado pela Pasta avaliou que não valeria a pena seguir com os equipamentos dado o alto custo de manutenção. Em nota, a Secretaria explica que ainda no ano de 2013 coletou as informações que levaram à tomada de decisão.
"A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informa que, em outubro de 2013, solicitou à Polícia Militar do Ceará informações referentes aos Segways (patinetes) e à relação custo-benefício dos equipamentos, para que fosse avaliada se a aquisição de novas baterias compensava financeiramente. Os patinetes, juntamente com veículos, mobílias e material de informática, foram submetidos à análise de uma comissão avaliadora referente às condições de operacionalidade. Verificou-se que os Segways, aparelho que desgasta e tem uma tecnologia que se tornou ultrapassada, e os demais equipamentos que estão inoperantes se tornaram economicamente inviáveis. Desta forma, a lista desses bens foi encaminhada à Coordenadoria de Apoio Logístico e Patrimônio da PM, para ser realizado leilão, cumprindo os trâmites legais", explicou a SSPDS.
Era janeiro de 2013, o jornal noticiou que a mobilidade dos policiais que patrulhavam a principal área turística da Capital estava reduzida pois apenas 20% da frota de Segway estava disponível para uso. O restante enfrentava problemas técnicos. À época, o então comandante do Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur), coronel Cláudio Mendonça, afirmou que o desgaste dos aparelhos era grande devido, principalmente, à maresia.
Aquela não era a primeira vez que os patinetes haviam sumido. Desde 2011, tornaram-se comuns os desaparecimentos, com a justificativa de que eram levados para assistência técnica.
No período de dois anos, foram celebrados dois contratos de manutenção, válidos por 24 meses: um de R$ 168 mil, assinado em 13 de outubro de 2009, e outro de R$ 320 mil, celebrado em 9 dezembro de 2010. Os valores, no entanto, são estimados por contrato, não tendo sido pagos em sua totalidade.
Pioneirismo no Brasil
Em 2008, ao adquirir os dez Segway, modelo X2-Cross, o Ceará era pioneiro no País no uso do equipamento no policiamento. O patinete possui plataforma elevada que permite o uso em terrenos acidentados e na areia. Funcionando à bateria, tem autonomia de 40 km, com velocidade máxima de 20 km/h. Um dos argumentos para a aquisição era a economia: média de 80 kwh de energia elétrica por mês.
Diário do Nordeste