“Já recebi ameaças por Facebook e ameaças anônimas. E se isso é uma tentativa de intimidar o governador, nós não vamos nos intimidar. Vamos continuar trabalhando firme e forte”, assegurou, sem dar detalhes. As declarações foram feitas durante o lançamento do Bilhete Único Intermunicipal, realizado pela manhã, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).
Para Camilo, o motivo das ameaças está relacionado às ferramentas utilizadas pelo Governo no combate à criminalidade, como a aprovação da lei que objetiva o bloqueio do sinal de celulares nos presídios estaduais — que ainda não foi regulamentada — e as transferências de detentos considerados de alta periculosidade para presídios federais.
“Já transferimos 13 grandes criminosos do Ceará para o Mato Grosso, para Rondônia, presídios federais que têm um controle muito mais rigoroso que os presídios estaduais, inclusive com bloqueio de celular. E tudo o que eles não querem é ir pra presídio federal. Nós já transferimos 13 e vamos continuar transferindo”, reagiu.
Desde janeiro, 28 atentados ou ameaças foram registrados no Ceará. Destes, 13 ocorreram entre os dias 2 e 6 de março, na Grande Fortaleza. Outras 15 ações criminosas se deram entre os dias 5 e 21 abril, em vários municípios. Prédios e veículos, públicos e privados, foram atacados.
Na ocasião, O POVO divulgou que a maioria dos ataques teria sido ordenada de dentro dos presídios do Estado, como a ameaça com carro-bomba deixado próximo à Assembleia Legislativa, cuja ordem partiu de dentro da penitenciária de Pacatuba.
Facções
De início, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) negou a versão. Porém, com o avanço das investigações, através de entrevistas concedidas por delegados de Polícia Civil, a pasta admitiu que parte dos atos foram ordenados por membros de facções criminosas, como o Comando Vermelho (CV), que teve um dos membro presos esta semana pelo ataque ao 23º Distrito Policial, no Conjunto Nova Metrópole, em Caucaia.
Já a denúncia anônima alertando para uma ameaça de bomba no prédio do Fórum Clóvis Beviláqua, na última quarta-feira, teria sido feita por um telefonema anônimo que partiu do Estado do Piauí, segundo o governador.
“Está se tentado criar uma desestabilização da Segurança Pública. Precisamos ter muita responsabilidade, mas nós não vamos abrir um milímetro sequer em combater o crime no Estado do Ceará”, completou.
O POVO Online