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Após greve, Uece levará três anos para conseguir repor aulas

Após greve, Uece levará três anos para conseguir repor aulas

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
21/10/2016 às 10h51 Atualizada em 21/10/2016 às 10h51
Após greve, Uece levará três anos para conseguir repor aulas
Foto: Reprodução
Além disso, de acordo com o reitor da Uece, Jackson Coelho Sampaio, a greve deve prejudicar cerca de 3.000 alunos que estão prestes a se formar. “Teremos um trabalho duro para reequilibrar o calendário letivo junto ao calendário civil. A greve se iniciou com apenas 30% de aulas do período 2016.1. Isso quer dizer que, na melhor perspectiva, o período acabaria apenas em janeiro”, explica o reitor. 
Para reduzir os danos da greve, a instituição pretende elaborar um estudo do calendário acadêmico a fim de conseguir recuperar os prejuízos. “Infelizmente, não temos como cortar o recesso dos professores pela metade. Isso é proibido, de acordo com as determinações do MEC (Ministério da Educação). As aulas durante os sábados podem ajudar a sanar esse déficit”, acrescenta Jackson Coelho. 
A estudante de Música, Rachel Martins, está apreensiva com a greve. Ela cursa o último período do curso e foi aprovada em concurso público no Estado do Rio Grande do Norte, mas teme não poder assumir o cargo porque é exigido diploma de conclusão de curso para tomar posse. “Eu apoio o movimento, mas estou preocupada porque a qualquer momento posso ser chamada para assumir o cargo e ainda não tenho meu diploma”, explicou durante entrevista. Já o estudante de Educação Física, Denner Oliveira, que é membro da atual gestão do Diretório Central de Estudantes (DCE), também demonstra preocupação com o atual cenário. “Mesmo que as aulas retornem logo, não temos nenhuma garantia que as melhorias de interesse dos alunos serão contempladas. Sabemos que a situação financeira da Uece é periclitante e não temos boas perspectivas”. 
Durante o encontro de hoje, de acordo com o Sindicato dos Docentes da Uece (Sinduece), os professores irão avaliar o termo de compromisso, de 11 temas centrais, assinado por representantes do Governo do Estado. “Iremos discutir todos os pontos do termo de compromisso e decidir da melhor maneira possível a continuidade ou o fim da greve”, explica Célio Coutinho, presidente da Sinduece. Entre as reivindicações da categoria, estão reajuste salarial, concurso para novos professores e melhorias de infraestrutura.

Impacto 
O Governo do Estado voltou a afirmar, em nota, que realizou diversas reuniões com a categoria para tratar do tema. Também preparou um estudo mostrando o impacto financeiro da reposição salarial dos professores. 
O Estado ainda ressaltou os “constantes” repasses de recursos para o ensino superior e revelou que, de 2011 a 2015, os recursos passaram de R$ 262,3 milhões para R$ 390 milhões. Para 2016, a previsão é de R$ 424,1 milhões, um aumento de 52%.

Diário do Nordeste