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Estudantes criam aplicativo que move cadeira de rodas

Estudantes criam aplicativo que move cadeira de rodas

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
26/11/2016 às 16h01 Atualizada em 26/11/2016 às 16h01
Estudantes criam aplicativo que move cadeira de rodas
Foto: Reprodução

Feira de robótica
O passo seguinte foi a participação na feira regional de ciências, naquele mesmo ano, onde o projeto também levou a primeira colocação. O grupo ainda representou o Ceará na etapa estadual da mesma feira, onde os participantes receberam um convite para apresentarem o trabalho na Mostra Nacional de Robótica (MNR), maior mostra científica de trabalhos de robótica do País, que tem o objetivo de expor e divulgar tudo relacionado ao tema.
A MNR busca valorizar o conhecimento interdisciplinar integrado, estimulando a criação de trabalhos entre robótica e diversas outras áreas, como humanidades, artes, ensino, ciências e inovação, além das tradicionais áreas de elétrica, mecânica e computação.

Bolsa de pesquisa
Com apoio da escola e dos próprios pais, quatro alunos seguiram para Recife, neste mês de outubro, para disputar espaço entre outros projetos nacionais e internacionais na Mostra Nacional de Robótica. O resultado foi divulgado nesta semana, e a surpresa é que o "Projeto Wheelchair Tech", da cidade de Santa Quitéria, foi aprovado entre outros 70 trabalhos que receberão uma bolsa para pesquisa pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). "Estamos em fase de organizar a documentação dos alunos e da escola, solicitada pelo CNPq, para que efetivamente eles possam receber a bolsa para aprimorar o trabalho em 2017", comemora a professora de Informática e coordenadora do projeto, Ana Eliza de Mesquita Sousa.

Aplicativo
O projeto de robótica, que levou os alunos da Escola Profissionalizante de Santa Quitéria a se destacarem nacionalmente, é resultado de um trabalho multidisciplinar com onze integrantes das áreas de Informática, Eletrotécnica e Enfermagem. Os comandos da cadeira inteligente são passados por meio de bluetooth, sem a necessidade de internet, onde o usuário, por meio de um aplicativo instalado no celular, envia informações com códigos simples para uma placa Arduíno instalada na cadeira. O Arduíno, criado em 2015 por um grupo de pesquisadores, é um dispositivo com hardware livre, barato, funcional e de fácil programação; acessível a estudantes e projetistas amadores, com a vantagem de montagem, modificação, melhorias e personalização a partir do mesmo hardware básico.
Ao acessar o aplicativo, os comandos enviam para a placa: F (frente), T (trás), D (direita), E (esquerda) e P (parar). A cadeira, também possui dois sensores ultrassônicos, que captam obstáculos que estejam à frente ou atrás, evitando batidas. O diferencial, em relação aos modelos de cadeiras motorizadas que circulam no mercado, segundo a pesquisa, é o preço das peças utilizadas, que podem ser reaproveitadas.
"Nós estamos felizes com a bolsa para ampliar a pesquisa, mas desejamos mesmo é algum tipo de investimento no projeto para que a 'Wheelchair' possa ser desenvolvida para ser lançada em escala. Com certeza, dentre as vantagens, estão o baixo custo, os benefícios alcançados, além da abordagem de sustentabilidade, quando se fala em reutilização", garante Adriano Melo, de 17 anos, um dos autores do projeto.

Testes
O aluno de Eletrotécnica Joel Pereira de Sousa, de 16 anos, comemora a participação, tanto na construção do protótipo que serviu de base, quanto na instalação da fiação da aparelhagem, parte que compete ao seu curso. Joel, também utilizou a cadeira inteligente durante a fase de testes e comprovou, na prática, a capacidade do equipamento.
"A cadeira tem sim potencial para o mercado. Eu me sinto realizado em saber que estou participando de algo que pode melhorar a vida de pessoas. Principalmente no que se refere à acessibilidade", disse, o jovem orgulhoso, enquanto circulava pelo laboratório da escola, realizando alguns ajustes no modelo piloto, acompanhado de olhares atentos dos companheiros da equipe.
"Estamos muito felizes com a dimensão que o projeto alcançou, indo além da nossa escola. Este trabalho, desde 2015, vem caminhando, ampliando em novas pesquisas, envolvendo alunos e professores de diversas áreas. O destaque mostrou o potencial dos nossos alunos, que trabalham numa linha que tenta ver a função social de cada projeto apresentado aqui na Escola Profissionalizante, onde o questionamento comum é de que forma cada ideia apresentada vai poder responder uma determinada demanda da sociedade", disse Antônia Gizela Araújo, diz a diretora da Escola.

ENQUETE

Qual a importância do projeto?
"A maior importância, com certeza, é na parte de acessibilidade, principalmente de crianças, nas quais pensamos inicialmente. Desde o desenvolvimento do protótipo, levando em consideração a participação das disciplinas de Informática, Eletrotécnica e Enfermagem, da qual faço parte. Mostramos nosso potencial e a viabilidade de um equipamento que ganha em economia e benefícios"
Francisca Dalila Damasceno - Aluna de Enfermagem
"Acredito que um ganho significativo esteja, não apenas na acessibilidade do usuário de cadeiras de rodas, mas também na possibilidade de economia na reposição e montagem das peças com custos mais em conta. A praticidade do aplicativo e do próprio uso do equipamento mostram o quanto essa ideia pode ajudar outras pessoas, quando for desenvolvida em escala industrial"
Thamires Mesquita - Aluna de Informática
Diário do Nordeste