Os membros do Comitê realizaram uma pesquisa com 224 famílias que tiveram filhos assassinados em Fortaleza, Caucaia, Eusébio, Horizonte, Juazeiro do Norte, Maracanaú e Sobral. Foram realizados, também, seminários, audiências públicas, grupos focais e consultas a órgãos governamentais e instituições da sociedade civil.
Conforme o relator do Comitê, o deputado estadual Renato Roseno, 98% dos homicídios ocorreram com adolescentes do sexo masculino e em regiões urbanizadas. "Boa parte desses jovens estavam residindo em áreas de periferia e já sofreram algum tipo de violência doméstica", conta. Segundo o relator, o próximo passo é a criação de 18 Comitês Estaduais nas 18 áreas de segurança em que o Estado é divido.
O Município de Horizonte se destaca no índice de violência armada com 13 homicídios por arma de fogo. Na avaliação dos membros do Comitê, o abandono escolar também é um sinal de alertar ao aumento da vulnerabilidade dos adolescentes ao homicídio. O relatório aponta que 73% dos jovens da Capital que morreram chegaram a abandonar as escolas.
Medidas
O resultado desse trabalho se traduz em 12 evidências e recomendações para a prevenção de homicídios no Ceará. Entre os temas contemplados estão: proteção às famílias vítimas de violência; ampliação da rede de programas e projetos sociais a adolescentes vulneráveis ao homicídio; qualificação urbana dos territórios vulneráveis aos homicídios; busca ativa para inclusão de adolescentes no sistema escolar; prevenção à experimentação precoce de drogas e apoio às famílias; mediação de conflitos e proteção a ameaçados; atendimento integral no sistema de medidas socioeducativas; oportunidades de trabalho com renda; formação de agentes da segurança pública e controle da atividade policial na abordagem ao adolescente; controle de armas de fogo e munições; mídia sem violações de direitos; e responsabilização pelos homicídios.
Diário do Nordeste