No último balanço divulgado pela Sesa, divulgado no dia 15 de fevereiro deste ano, eram 14 casos suspeitos da doença no Ceará, também com quatro descartados. A primeira suposta contaminação no Estado aconteceu em 18 de dezembro de 2016, enquanto a última notificação ocorreu em 21 de fevereiro.
De acordo com a Sesa, dentre os 12 casos investigados no momento, dez são residentes no município de Fortaleza, um residente em Salvador (BA) e outro em São Paulo (SP). "A mediana de idade é de 40 anos e, em relação ao gênero, 58,3% é do sexo masculino e 41,7%, do feminino", informou a nota técnica.
Sintomas
Os acometidos pela doença apresentaram os seguintes sinais e sintomas: dores musculares intensas de início súbito, acometendo principalmente a região cervical, membros inferiores e superiores, mudança na tonalidade da urina (variando entre vermelho escuro e castanho), além de elevações significativas nas dosagens da cretinofosfoquinase (CPK) e os níveis hepáticos (TGO e TGP), que ajudam a diagnosticar a doença, após exames.
"Não há relato de febre, cefaleia, artralgia ou exantema. Todos os pacientes evoluíram para cura após tratamento médico", informou a Sesa.
Doença revelada
Após muitas suspeitas, pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA), estado que registrou o maior surto da doença, com 50 casos entre dezembro e janeiro, finalmente desvendaram as verdadeiras causas da contaminação. Segundo os médicos, os casos ocorreram por intoxicação após a ingestão de peixe, o que desencadeia a chamada doença de Haff. Dessa forma, está descartada a hipótese de que um novo vírus ou bactéria esteja relacionado à doença.
A doença de Haff é caracterizada por um início abrupto de dor muscular intensa associada a níveis elevados da enzima creatina fosfoquinase (CPK). Esses sintomas aparecem menos de 24 horas após a ingestão de peixe – além da dor, a urina fica preta e há insuficiência renal.
Conforme a Sesa, as principais recomendações à população são: manter os alimentos devidamente acondicionados, fora do alcance de roedores, insetos e outros animais; armazenar o lixo doméstico em sacos plásticos e em lixeira tampada; remoção adequada do lixo doméstico em dias de coleta sistemática; remoção de entulhos do intra e peridomicílio; em caso de contato com água de chuva e lamas, recomenda-se o uso de botas e luvas impermeáveis e limpeza e desinfecção do reservatório de água (caixa d´água).
Diário do Nordeste