Moro anotou que desde que se tornou alvo da Operação Lava Jato, Lula, por meio de seus defensores, fustiga investigadores e repórteres com ações de indenização, ainda que sem êxito. "Até mesmo promoveu ação de indenização contra testemunha e que foi julgada improcedente, além de ação de indenização contra jornalistas que revelaram fatos relevantes sobre o presente caso também julgada improcedente." O juiz da Lava Jato aponta, ainda, para "declarações públicas no mínimo inadequadas sobre o processo".
O juiz se referiu a afirmações de Lula de que poderá retaliar os procuradores da força-tarefa do Ministério Público Federal e os delegados de Polícia Federal que o acusam. "Por exemplo, sugerindo que se assumir o poder irá prender os procuradores da República ou delegados da Polícia Federal: 'se eles não me prenderem logo quem sabe um dia eu mando prendê-los pelas mentiras que eles contam'. Essas condutas são inapropriadas e revelam tentativa de intimidação da Justiça, dos agentes da lei e até da imprensa para que não cumpram o seu dever." Moro considera que poderia mandar prender o ex-presidente.
Mas assegurou a Lula o direito de recorrer em liberdade. "Considerando que a prisão cautelar de um ex-presidente da República não deixa de envolver certos traumas, a prudência recomenda que se aguarde o julgamento pela Corte de Apelação antes de se extrair as consequências próprias da condenação. Assim, poderá o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentar a sua apelação em liberdade."
Redação Web