Quinta, 15 de Janeiro de 2026
22°C 32°C
Santa Quitéria, CE
Publicidade

Funcionários da Sefaz iniciam retirada de mercadoria apreendida em esquema de sonegação

Funcionários da Sefaz iniciam retirada de mercadoria apreendida em esquema de sonegação

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
02/09/2017 às 13h45 Atualizada em 02/09/2017 às 13h45
Funcionários da Sefaz iniciam retirada de mercadoria apreendida em esquema de sonegação
Foto: Reprodução
Um galpão que toma todo um quarteirão no Centro está repleto de rolos de tecidos. Pela quantidade a ser recolhida, pelo menos três dias serão necessários para que os funcionários da Sefaz finalizem a retirada de toda a mercadoria. O volume exato de tecidos apreendidos na sede da empresa JD Comércio de Tecidos ainda é desconhecido pelos próprios fiscais e Polícia Civil. A quantidade é tão vultosa que deverá ser usada 15 carretas para transportar o estoque até os galpões da Secretaria.
No material informativo da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), distribuído aos jornalistas antes da entrevista coletiva na última sexta-feira, 1º, consta a informação de “tecidos avaliados em mais de R$ 100 milhões”, mas o valor teria sido concluído por estimativa.



Operação Dissimulacre
A Operação Dissimulare prendeu 14 pessoas envolvidas com a organização que, em apenas um ano, movimentou cerca de R$ 1 bilhão e deixou de pagar R$ 300 milhões em tributos. A suspeita é de que alguns deles atuavam, pelo menos, desde 2004, o que pode tornar ainda maiores os valores fraudados.
Além disso, foram cumpridos 37 mandados de busca e apreensão, que recolheram grande quantidade de tecidos e dinheiro em espécie. 
Um galpão que toma todo um quarteirão no Centro está repleto de rolos de tecidos. Veículos de luxo e joias também estão entre os materiais recolhidos no apartamento dos empresários.
O galpão pertence a José Orlando Rodrigues de Sena, 49, um dos principais empresários do segmento têxtil do Estado. Outro envolvido que também está preso é Marcus Venícius Rocha Silva, presidente do SindConfecções Ceará e diretor administrativo adjunto da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec).
Três agentes da Sefaz, que facilitavam o esquema, estão entre os presos. Paulo Sérgio Coutinho Almada, 50, é auditor do órgão e estava lotado até 2015 na Célula de Fiscalização de Trânsito de Mercadorias (Cefit). É o setor que carimba notas fiscais nas estradas. Ele, que também está preso, é irmão de Jovilson Coutinho Carvalho. Foragido, Jovilson é considerado pela Polícia como o principal líder do esquema.
A Polícia diz ainda não ter indicativos de participação de nomes do Judiciário no esquema. O POVO apurou que a investigação sobre isso está em andamento. Os tecidos eram adquiridos por empresários participantes do esquema. A empresa de fachada se regularizava contabilmente ao vender notas fiscais frias. Segundo Gutierrez, muitos desses compradores eram feirantes da rua José Avelino, no Centro, além de sonegadores e receptadores de carga, que pagavam à quadrilha de 1,5% a 3% sobre o valor da nota fria.

O POVO Online