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Músico invade creche, resgata crianças no fogo e usa carro como ambulância

Músico invade creche, resgata crianças no fogo e usa carro como ambulância

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
05/10/2017 às 22h10 Atualizada em 05/10/2017 às 22h10
Músico invade creche, resgata crianças no fogo e usa carro como ambulância
Foto: Reprodução
Ao retornar à rua para ver o que era, foi abordado pela vizinha, em desespero. "Pelo amor de Deus, ajuda, Juninho! É incêndio, as crianças estão pegando fogo, todo mundo, ajuda!", gritava ela. Armando mora em frente à rua da creche a que um vigia ateou fogo em Janaúba (MG).
Até o momento, quatro crianças de 4 anos morreram em decorrência das queimaduras. Pelo menos outras 19 estão internadas, 15 em estado grave. O homem, Damião Soares dos Santos, 50, também morreu no incêndio.
Armando conta que, ao ouvir a vizinha, saiu correndo em direção à creche. "Entrei para tentar apagar o fogo, mas não deu nada. O teto era inflamável, já estava cheio de fumaça tóxica, preta. Aí corri em casa para pegar meu carro e ajudar no socorro às vítimas", afirma.
Um vídeo gravado por ele após o resgate está circulando em redes sociais e aplicativos de mensagem nesta quinta. "Um cara entrou numa creche, bicho, e colocou fogo num tanto de criança. Eu não consigo acreditar numa desgraça dessas", diz ele na filmagem, em tom de choro. "[Levei] criança completamente queimada no meu carro. Criancinha de cinco, três, quatro anos de idade", acrescenta.

Cenário de horror
O músico disse ter agido por impulso. "Não pensei direito, só queria salvar as crianças ali." Ele afirma que colocou cerca de cinco crianças queimadas no carro e levou ainda mais dois adultos, em uma viagem única.
"Quando cheguei [na creche] já tinham muitas viaturas. Coloquei o máximo de pessoas que eu consegui. Tinha uma professora ou funcionária queimada, muito mesmo, tipo 80% do corpo em carne viva. Um rapazinho estava todo branco, uns 90%", estima.
Armando diz que todas as crianças estavam chorando muito e em estado de choque. "Fui limpar o banco do meu carro hoje, tinha pedaço de couro cabeludo. Foi uma cena difícil." Ele afirma que, como o hospital regional é próximo à creche, a corrida levou menos de um minuto. "Pisei o máximo que o carro tinha. O primeiro carro a chegar com vítimas foi o meu, já cheguei gritando e o pessoal foi ajudar."
O músico afirma estar abalado com a tragédia. "Na hora é uma sensação que eu não sei nem como descrever, a gente só pensa em ajudar, mas é uma situação muito complicada. Mas é muita coisa para se fazer, você fica sem foco, fica maluco."

Folhapress