“Isso acontece porque é inviável manter o serviço em áreas remotas, de difícil acesso, como o Norte e o interior do Nordeste, e com baixa demanda. A empresa que for assumir terá que buscar o equilíbrio entre o nível de serviço e o custo. Mas, sem dúvida, haverá lugares que não são atrativos para a iniciativa privada. Esse será o ponto negativo da privatização”, explica.
Atualmente, os Correios possuem agências em todos os 184 municípios cearenses e disponibiliza 768 pontos de atendimento – entre agências próprias, terceirizadas e comunitárias. A empresa ainda opera 21 centros de distribuição domiciliar e dois centros de entrega de encomendas. Ao todo, emprega 2.262 pessoas no Estado.
Entre os serviços que devem gerar mais atratividade para a empresa durante o processo de privatização, Cordeiro aponta o transporte de cargas como a “galinha dos ovos de ouro”. “O segmento de correspondência deixará de existir com a virtualização e não será um atrativo para a iniciativa privada. Com a ascensão do e-commerce, principalmente, o transporte de cargas realmente é o que será mais valioso”, pontua.
Eficiência
Para garantir que o serviço passe a ser realmente mais eficiente do que é hoje, Cordeiro lista uma série de segmentos que deverão receber atenção especial. “Terá de investir em equipamentos mais modernos, em tecnologias na parte de separação, identificação de rotas, de mercadorias, toda essa parte de inteligência de operações”, aponta.
O especialista acrescenta que a empresa terá de reduzir o custo operacional, que hoje é muito alto. “Tem que diminuir a escala de mão de obra, de estrutura, de manutenção predial. Com o mercado privado assumindo, ele acaba enxugando os custos fixos, trabalhar de forma mais eficiente”.
Consumidor
Apesar da possível redução da área de atuação da estatal, o especialista indica que, com a privatização, o serviço prestado ao consumidor melhorará de forma substancial.
“O tempo de entrega ficará mais curto, o preço ficará mais barato. Para os grandes centros, como Fortaleza, haverá um ganho significativo”, destaca.
Isso será possível porque a empresa que assumir os Correios deverá conectar de forma mais eficiente as áreas com grandes demandas aos grandes produtores. “Sem falar que o consumidor terá a quem recorrer diretamente caso a qualidade do serviço não esteja conforme o esperado. Hoje não há a quem recorrer”, afirma o especialista em logística.
Para o especialista, não há outra saída para os Correios. “A privatização é um caminho sem volta. Se ele não tivesse sido tão politizado, teria estrutura para ser um case de sucesso. Mas acabou sendo minguado, foi perdendo espaço até chegar a situação atual, em que não consegue mais se manter. Sem falar nas constantes reclamações dos consumidores”, analisa.
O POVO Online