Ao todo, foram 13 estados beneficiados desde janeiro, entre eles Maranhão, Rio de Janeiro e Pará. O envio só foi possível graças a uma parceria entre a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e a Secretaria da Saúde (Sesa), que acumulou 3.288 doações desde 2016.
A coordenadora da Central de Transplantes do Ceará, Eliana Barbosa de Almeida, explica que os números desse tipo de transplante são altos em razão da cooperação entre as pastas. “Antes, tínhamos apenas um núcleo de doações e o período de espera era de seis meses. Com a integração, nós passamos a três núcleos em todo o Estado, zeramos a fila e passamos a disponibilizar para outros estados”, diz.
De acordo com Eliana, outros fatores colaboram com os bons números, a exemplo da rapidez do transplante. “Além do procedimento não ser considerado de alto risco e raramente haver rejeições, o grupo sanguíneo também não é requisito para o receptor”. Conforme a coordenadora, em outros estados, “as filas de espera também zeraram, mas logo depois voltaram a crescer. Porém, o Ceará mantém os números firmes”.
O sucesso na captação de córneas vem de atitudes de amor e solidariedade, como as de Sônia Lima, que perdeu o filho Willamy Lima em 2018 e decidiu doar as córneas. “Saber que alguém enxerga com os olhos dele me faz sentir que ele não se foi totalmente. Sinto que ainda pode ver o sol, apreciar a vista do mar, como ele tanto gostava”, conta.
Por ter sido vítima de uma bala em uma perseguição policial, Sônia conta que os outros órgãos do filho não poderiam ser aproveitados. “Se pudesse, eu doaria até o último fio de cabelo dele. Hoje, uma mãe ou um pai devem estar muito felizes pelo filho (a) conseguir enxergar”, comenta.
Diário do Nordeste