Inicialmente, o ministério havia informado que o registro não entraria na lista de confirmados por não se enquadra na definição de caso de covid-19. O motivo era o fato da adolescente não ter apresentado sintomas.
Após reunião com especialistas nesta quinta-feira, a pasta recuou da decisão e decidiu classificar o registro como confirmado.
A avaliação ocorreu devido a quatro pontos: 1) o fato de ter dado exame positivo para o vírus, 2) o histórico de viagem da adolescente a uma área de alta transmissão, 3) o uso de medicamentos que podem ter escondido sintomas, como febre e 4) a possibilidade de que a adolescente ainda tenha sintomas.
Em nota, o ministério diz que estuda uma infecção assintomática pelo coronavírus. A pasta qualifica a situação como atípica.
A previsão é que sejam feitas agora outras análises para observar carga viral e potencial de transmissão e se houve supressão de sintomas por uso de medicamentos.Com o recuo do ministério, o Brasil já soma quatro casos confirmados de covid-19. Outros 531 suspeitas estão em investigação, enquanto 315 já foram descartadas após exames.
O caso era analisado desde quarta-feira (4), quando resultado de um primeiro exame feito pela adolescente na rede privada deu positivo para o novo coronavírus. Trata-se de uma estudante de 13 anos que esteve na Itália. Lá, ela esteve em Milão e depois na região de Dolomitas, onde ficou internada em um hospital por causa de uma lesão no joelho.
O retorno ao Brasil ocorreu no domingo (1º). Na terça (3), ela esteve no hospital Beneficência Portuguesa, onde coletou amostras para exames, que deram positivo. Teste de contraprova feito pelo instituto Adolfo Lutz confirmou a análise.
A adolescente, porém, não teve sintomas desde que chegou ao país. Segundo equipes do Ministério da Saúde, a probabilidade é que ela tenha feito o teste por ter estado internada em um área onde há transmissão do novo vírus e para possíveis novos procedimentos médicos.
A pasta diz que irá avaliar se um eventual medicamento usado para tratamento da lesão no joelho pode ter levado a estudante a não ter sintomas. O histórico dos familiares que a acompanharam na viagem também deve ser analisado. Adolescente e contatos são monitorados, diz o ministério.