A soma das mortes em confrontos nesses três meses resulta em um número significativamente menor do que em igual período de 2019. No ano passado, de janeiro a março, a SSPDS contabilizou 47 mortes. Nenhum dos casos é considerado como intencional, porque, segundo a Secretaria, possuem excludente de ilicitude. No entanto, todas as mortes resultam na instauração de inquérito policial e são apuradas pela Polícia Civil do Ceará.
Ao falar dos casos de mortes por intervenção policial, o professor, sociólogo e membro do Laboratório de Estudos da Violência (LEV) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Luiz Fábio Paiva, considera que a Polícia adotou uma postura de optar pelo confronto: "ela vai para a guerra. Não trabalha de maneira estratégica e nem tem suporte para resolver problemas sociais que, de certa forma, geram condições para a reprodução do crime".
O pesquisador ressalta que os números mostram "uma polícia brutalizada, cada dia mais violenta, cada dia mais acreditando que a violência é o caminho para resolver o problema, porque ela não tem condições de resolver o problema de outro jeito".
G1