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Santa Quitéria à Varjota: A tradição de vaqueiro continua e fazendo sol ou chuva eles estão prontos

Santa Quitéria à Varjota: A tradição de vaqueiro continua e fazendo sol ou chuva eles estão prontos

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
04/03/2010 às 09h15 Atualizada em 04/03/2010 às 09h17
Os perigos do dia-a-dia são muitos, mas eles são apaixonados pelo que fazem

Os Vaqueiros do Sertão Nordestino, região da Zona Norte do Ceará, mas precisamente, Santa Quitéria, Varjota estão agindo em épocas de falta de chuva, ajudando nas transferências do gado de um lado pra outro que tenha melhores condições de sobrevivência dos animais.

O clima semi-árido e que tem como vegetação a caatinga, enfrenta sérios desafios na vida com o gado, sendo para isso o uso de indumentária própria feita de couro, composta por Perneira (calça), Gibão (Jaqueta), Chapéu de couro e chinelo de couro.

Em nossas andanças no distrito de Trapiá, encontramos alguns destes herois do interior, quando os mesmos gritavam e aboiavam com centenas de cabeças de gado de um fazendeiro da Região, que estavam sendo transferidas do interior de Varjota para Santa Quitéria.


O Vaqueiro pode cuidar do seu próprio rebanho, porém o mais comum, é que o mesmo seja empregado de uma fazenda onde vive como morador. O mesmo tem como pagamento do seu trabalho um salário específico ou tirar a sorte na produção, onde, de forma previamente acertada com o fazendeiro, um percentual dos filhotes que nascerem, serão propriedade do vaqueiro; por exemplo: a cada quatro filhotes um é propriedade do vaqueiro, podendo este, criar, vender trocar ou fazer qualquer outro negócio com a sua produção. A cada ano o gado é separado, contado e tirado o que cabe para uma das partes. Este evento é conhecido popularmente como Festa de apartação.



Uma das características do Vaqueiro é que, além de ser um homem muito trabalhador, também tem que ser um homem destemido na luta com os animais. Muitas vezes, para arrebanhar o gado, é necessário amarrar a rês desgarrada ou prender algum dos animais que estejam postos à venda, sendo necessária, para isto, a pega do boi na caatinga utilizando apenas o cavalo, bons cachorros e a indumentária acima citada.


Hoje é raridade se encontrar vaqueiros a cavalo, muitos deles estão trocando o cavalo pelas motos, mais ainda encontra-se autênticos vaqueiros, apaixonados pela profissão que além de andar montado a cavalo ou no burro, tem ainda outras atividades, como exemplo, citaremos o vaqueiro Ricardo Balla (foto), que é cantor da banda de forró (Memórias do Sertão de Varjota) e ainda gosta desta outra que é ficar próximo ao gado e ao povo do campo.


Parabéns aos vaqueiros do nosso Nordeste Brasileiro.