O trabalho, conduzido no Hospital Pennsylvania na Filadélfia, observou que, de 83 grávidas que possuíam anticorpos para o coronavírus Sars-CoV-2 – ou seja, testaram positivo para infecções anteriores de Covid-19 –, 72 conseguiram transmitir IgG (anticorpos de mais longa duração), via placenta, para os filhos. Também foram encontrados IgG no cordão umbilical.
A transferência dos anticorpos via placenta, nos demais casos, ocorreu tanto de mães que foram assintomáticas quanto das que tiveram uma doença leve, moderada ou severa. E foi maior quanto mais tempo tinha se passado entre a contaminação e o parto.
Produção de IgG é o fator determinante na hereditariedade
Ao todo, no estudo foram feitos testes de sorologia para a detecção de anticorpos em 1.471 grávidas que passaram pelo hospital entre 9 de abril e 8 de agosto do ano passado, com idade média de 32 anos.
Entre elas, 83 tiveram resultado positivo para os IgG e/ou IgM – que aparecem alguns dias após a contaminação, quando já houve replicação viral considerável e o organismo começa a se defender – no momento do parto. O IgG aparece mais ao fim da infecção e tende a permanecer por um tempo mais longo no corpo, o que costuma ser relacionado à imunidade adquirida – apesar de isso ainda não ser uma garantia no caso da Covid-19.
Dos 11 bebês que não receberam anticorpos, cinco deles eram de mães em que foram detectados apenas o IgM e seis nasceram de mães com concentrações de IgG bem mais baixas do que as de outras mães cujos filhos apresentaram anticorpos.
Estadão Conteúdo