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Professor usa colete que simula aparelho de aluna com escoliose para combater bullying em escola no Ceará

Professor usa colete que simula aparelho de aluna com escoliose para combater bullying em escola no Ceará

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
11/04/2022 às 09h06 Atualizada em 11/04/2022 às 09h06
Professor usa colete que simula aparelho de aluna com escoliose para combater bullying em escola no Ceará
Foto: Reprodução

A atitude surpreendeu e emocionou a vendedora Sônia Melo, mãe de Sophia Melo, de 11 anos, aluna do 6º ano, que está em tratamento contra a escoliose desde 2016.

"Do nada ele apareceu com a imitação do colete e disse que iria usar com a Sophia. Foi uma atitude muito louvável, eu gostei demais. Agora a Sophia ficou mais motivada e vai toda feliz para a escola", afirma Sônia.

Segundo a mãe, o acompanhamento de Sophia começou após ela notar algo errado com a postura da filha. Inicialmente, a jovem foi diagnosticada com 11 graus de desvio, depois com 17, e no mês passado novos exames mostraram que ela já estava com um desvio de 35 graus da coluna, o que fez com que um novo colete ortopédico fosse usado para o tratamento.

"Ela já tinha usado outro colete, o OTLS, que era mais discreto, ficava embaixo da blusa. Há uns três meses ela começou a usar o novo colete, que já é mais visível. Quando Sophia começou a ir com o novo colete um colega de sala chamou ela de corcunda, disse que ela era torta. O que deixou Sophia triste e com vergonha do tratamento", relata a vendedora.

Conversa com aluno e com os pais

Ao saber do ocorrido, o professor de história Deniro Machado apoiou Sophia, chamou o aluno que fez bullying e os pais dele para conversarem sobre o caso. Dias depois, o docente apareceu em sala de aula usando a réplica do colete da aluna.

"Sophia é uma aluna muito querida e que sempre me chamou atenção, pois eu sofria muito bullying quando criança por ser gordinho, me chamavam de botijão, entre outras coisas, e nenhum professor fez nada por mim. [...] Resolvemos a questão do bullying, mas eu não queria que parasse por aí, queria que ela se sentisse acolhida. Então fiz o colete de E.V.A, entrei na sala com ele e disse que a partir daquele dia eu e Sophia usaríamos o colete e que se alguém quisesse fazer bullying seria com nós dois. Os outros alunos aplaudiram e não houve mais casos", disse o professor.

Para Deniro, a "educação não é um trabalho e sim um chamado". "Eu sempre tive a filosofia de vida que eu quero ser o professor que eu queria ter quando aluno, um professor que lutasse por mim. [...] Ser professor não é só dar aula, é se envolver com os alunos", afirma Deniro.

Sophia segue em tratamento contra a escoliose e agora, além do professor e da família, conta com o apoio dos colegas da sala de aula.

G1 CE