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Mães de criança com doença rara entram na Justiça para conseguir tratamento domiciliar no Ceará

Mães de criança com doença rara entram na Justiça para conseguir tratamento domiciliar no Ceará

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
20/04/2022 às 16h47 Atualizada em 20/04/2022 às 16h47
Mães de criança com doença rara entram na Justiça para conseguir tratamento domiciliar no Ceará
Foto: Reprodução

No mês de março, ainda sem retorno do convênio para o envio do homecare necessário para que o bebê possa ser tratado em casa, as mães da criança, Juliana Monteiro e Denilza Moreira, entraram com um processo judicial para que a Unimed conceda todos os cuidados para o filho. O pedido inclui profissionais de saúde, medicações e equipamentos envolvidos no tratamento de João Miguel.

Em entrevista ao O POVO, Denilza Moreira conta que, no dia 16 de março, a liminar foi deferida a favor da família, devolvendo o sentimento de esperança pela recuperação do filho. Contudo, a mãe conta que, dias após a vitória judicial, ela foi contatada pela enfermeira responsável pela internação domiciliar e teve a resposta de que apenas alguns materiais foram liberados pela Unimed para João Miguel. O restante dos cuidados que a criança necessita não foram incluídos pelo convênio.

“A enfermeira nos informou que só tinha sido liberado algumas medicações, a alimentação e, entre a equipe multidisciplinar, não tinha a fonoaudióloga. Quando perguntamos a ela sobre os materiais que ele utiliza (sonda de aspiração, sonda de alimentação, curativos, entre outros), tomamos um susto, pois ela informou que nada disso tinha sido liberado para o nosso filho”, relatou.

Segundo Deniza, em 21 de março, a família foi até o escritório do advogado e descobriu que o convênio só havia liberado o que constava no laudo exemplificativo, mesmo com a liminar esclarecendo que João Miguel deve retornar para casa com todos os cuidados que tem dentro da clínica. Então, a neurologista da criança prescreveu um novo laudo, pontuando todo o suporte médico necessário.

“Nosso advogado pediu o cumprimento da liminar, a única coisa que recebemos foram duas ligações, as duas perguntando o porquê de não termos aceitado o homecare, então explicamos que não tem como uma criança ir pra casa sem os cuidados que tem aqui. Eles justificaram que a médica não pediu isso no primeiro laudo, mesmo com a juíza deixando claro na liminar que ele teria que ir pra casa com todos os cuidados da UTI”, disse.

Conforme a mãe de João, no dia 11 de abril, a Unimed entrou com um recurso alegando o rol taxativo. Esse recurso, também chamado de rol exaustivo, estabelece uma lista determinada, não dando margem a outras interpretações, valendo-se somente do que está ali inserido. No caso de João Miguel, validando somente o que estava prescrito no primeiro laudo médico, que era exemplificativo e não continha todos os cuidados da UTI.

“Negar o direito de João ir pra casa é cruel. Se qualquer pessoa se colocar no nosso lugar, vai sentir na pele a indignação e a dor que sentimos. São 4 meses vivendo nessa UTI, há mais de 1 mês meu filho está pronto para voltar a nossa casa. Por conta dessa crueldade, João Miguel já teve várias infecções nesses últimos 30 dias, fora as crises convulsivas. Se ele não sair desse hospital, vamos acabar o perdendo”, declarou Denilza.

A família continua tentando trazer o filho para casa, que já está previamente equipada para recebê-lo. Enquanto isso, as mães continuam com a campanha de arrecadação de fundos para arcar com os custos médicos do homecare particular, avaliados em R$ 14.744,97. As doações podem ser realizadas via Pix, pela chave 603.583.283-06 (CPF), no nome de Denilza Ferreira Moreira.

Nota da Unimed Fortaleza

Ao O POVO, a Unimed Fortaleza notifica: "Sobre o tratamento do paciente João Miguel Monteiro Moreira, a Unimed Fortaleza informa que possui um prestador para prestar-lhe o serviço de atendimento domiciliar e que, na apresentação de melhores condições clínicas que viabilizem a alta hospitalar para dar continuidade ao tratamento em casa, a transferência do paciente será realizada bem como serão avaliadas as suas necessidades e acertadas em comum acordo com a família. A Unimed Fortaleza reforça o seu compromisso em melhor cuidar das pessoas".
O povo