Conforme o juiz da 5ª Vara da Criança e do Adolescente, Manuel Clístenes, após cometer atos de indisciplina dentro do centro socioeducativo, o adolescente precisou ser remanejado para uma ala intermediária. Foi lá que ao ser interrogado pelos colegas de quarto sobre o motivo de estar ali ele acabou falando com detalhes sobre como havia participado da morte de José Hilker.
"Os companheiros de dormitório ficaram indignados com a crueldade praticada pelo adolescente contra o motorista de aplicativo. Esperaram ele ficar em uma posição que não pudesse se defender e usaram lençóis para primeiro amarrar o pescoço dele e, em seguida, desmontaram um aparelho de barbear para usar as lâminas do objeto e ferir a vítima em várias parte do corpo, inclusive no pescoço", revela. Clístenes informou ainda que após o ato os próprios internos acionaram os socioeducadores para que providenciassem a retirada do corpo do adolescente do dormitório.
A Superintendência do Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo (Seas) informou que a morte do adolescente, que era interno da unidade, aconteceu por volta das 21h do dia 24 de abril. A vítima estava em um dos alojamentos com outros três internos.
Após a morte do jovem, coordenadores de segurança e de gestão compareceram à unidade, realizaram relatórios e encaminharam a comunicação ao Sistema de Justiça do Estado. A Seas informou que a Assessoria de Diretrizes Socioeducativas e a Equipe Técnica estão prestando apoio à família do adolescente. A Corregedoria já apura as causas do ocorrido, disse o órgão em nota.
Adolescentes transferidos
Os três adolescentes envolvidos na morte do jovem de 14 anos foram transferidos do centro socioeducativo. Antes, eles foram encaminhados para a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) para o registro do ato infracional semelhante a homicídio. Não foi informado o novo local para onde os jovens foram levados. O trio já possuía atos infracionais análogos aos crimes de homicídio, tráfico de drogas e roubo. Outros dois adolescentes que seriam parentes do jovem morto também foram remanejados do centro por questões de segurança, conforme o juiz Manuel Clístenes.
Entenda o caso
 |
| José Hilker Assunção de Sousa teve 95% do corpo queimado - Foto: arquivo pessoal |
O crime que vitimou o motorista de aplicativo ocorreu em novembro de 2020. Hilker foi roubado, agredido e teve o corpo queimado após realizar uma corrida no município de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. Ele foi socorrido para o Instituto Doutor José Frota (IJF), onde morreu 14 dias depois do ataque. Ele deixou a mulher e um filho.
G1 CE