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Bolsonaro estava certo!

Bolsonaro estava certo!

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
02/11/2022 às 12h27 Atualizada em 14/06/2023 às 13h23
Bolsonaro estava certo!
Foto: Reprodução
Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Foi lá no início de novembro de 2018, logo após a confirmação de sua eleição para o cargo de Presidente da República e enquanto começava a planejar seu futuro governo, que Jair Messias Bolsonaro vaticinou: “não posso errar, senão o PT volta”. A eleição de Lula no último domingo (30/10), que volta à Presidência depois de ter sido condenado e cumprido uma parte da pena imposta (cujos processos posteriormente vieram a ser anulados), provou que Bolsonaro estava certo.

Quem acompanha a política com sinceridade e sem paixão sabia que não seria fácil a tarefa de Bolsonaro à frente de tão alto cargo. Sem experiência anterior no Executivo e com atuação discreta no Parlamento, o ex-militar de posições extremas e comportamento extravagante precisaria conduzir quase que com indefectibilidade os atos em seu mandato para impedir a volta daqueles que conseguira derrotar nas urnas, o que, na prática, não aconteceu.

Evidentemente que uma gestão, independente de qual bandeira ostente, é construída a partir de acertos e também de erros, os quais, muitas das vezes, servem para “correção de rota”. Diz a máxima popular que “errar é humano”, mas permanecer no erro, dizem outros, é burrice.

Bolsonaro assumiu com a declarada missão de combater, de forma implacável, a corrupção e a delinquência, com especial destaque para as facções criminosas e, para isso, contou com tempo e nomes de peso. Além disso, precisava conciliar ações sociais importantes num país ainda arrasado pela fome com a condução da economia em busca de estabilidade e confiança do mercado internacional.

Estabilidade, contudo, não foi a marca de sua gestão. Desde seu primeiro dia de mandato, Bolsonaro resistiu em buscar diálogo e conciliação com os demais Poderes da República e jamais hesitou diante de provocações da imprensa, com quem sempre adotou o toma-lá-dá-cá. Contou ainda, durante a gestão, com a imprevisível ocorrência da Pandemia da Covid-19, uma situação que exigiria de qualquer um que estivesse no cargo notória habilidade e poder de decisão, conquanto muitas vidas estavam em risco.

Diante da derrota no STF e confrontado por prefeitos de grandes capitais, como João Dória (SP), bem como por alguns governadores, notadamente Eduardo Leite (RS) e os do Nordeste, Bolsonaro patinou e acabou responsabilizado pelas muitas mortes provocadas pelo novo coronavírus. E é porque o Governo Federal manteve os repasses e segurou as contas públicas mesmo quando parte do país estava “em casa”, sob lockdown, mas declarações sarcásticas e infelizes durante o auge da Pandemia o colocaram, “aos olhos do povo”, como grande culpado.

As constantes trocas em seus Ministérios, quase sempre sob “pressão da mídia”, eram justificadas com uma narrativa nada convincente de sabotagem e perseguição e nem mesmo os acertos da equipe econômica e o trabalho árduo de pastas como a da infraestrutura foram suficientes para convencer a opinião pública do contrário, levando o governo a nocaute.

Mas Bolsonaro confiava muito no apoio popular que recebia, em especial nas suas aparições em redes sociais, e que isso seria provado nas urnas, ponto no qual é forçoso reconhecer que também tinha razão, não foi à toa que recebeu 58.206.354 votos (49,1%), pouco mais de 2 milhões a menos que seu concorrente, que obteve 60.345.999 (50,9%), numa eleição em que 32.200.558 eleitores aptos deixaram de comparecer. 

Ao final, a soberba de acreditar que venceria a qualquer custo e de subestimar a força do mesmo povo que o elegeu, a despeito de seus erros, que foram muitos, acabaram pesando mais e foram determinantes para a “volta” do PT, que parecia estar prevendo há quase 3 anos. Por outro lado, a vitória apertada em uma das disputas mais acirradas de todos os tempos mostra que Lula foi eleito por uma pequena maioria mas precisará governar para todos e, assim como seu antecessor, não poderá errar.

Ele estava certo: a maioria que pesa na eleição é a mesma que faz falta na derrota!

THYAGO DONATTO é advogado e radialista. Foi assessor parlamentar, consultor jurídico e Conselheiro da OAB/CE.


*Esse texto é de inteira responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do A Voz de Santa Quitéria.