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Um líder por acaso e forjado na falta de diálogo na PM.

Um líder por acaso e forjado na falta de diálogo na PM.

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
05/01/2012 às 12h15 Atualizada em 05/01/2012 às 14h03

Até ser aclamado “líder” pela tropa miúda e intermediária da Polícia Militar e Corpo de Bombeiro, a única experiência política que o capitão Wagner Sousa havia provado não passava de uma participação sem protagonismo no Grêmio Escolar do Colégio 4º de Outubro. É uma escola particular da periferia de Fortaleza, localizada no bairro João XXIII.
Foi onde o capitão viveu boa parte de seus 32 anos de idade, até sair da casa dos pais e se mudar para o Henrique Jorge, com esposa Dayane Bittencourt, com que teve um casal de filhos.  A liderança repentina, confidenciava-me no terceiro dia de ocupação do quartel da 6ª Companhia do 5º Batalhão da PM, havia lhe caído ao colo meio que por acaso. Há bem pouco tempo, por falta de perspectivas como oficial, Wagner Sousa esteve para pedir para sair das fileiras da Corporação. Só não o fez porque foi reprovado no último concurso para agente da Polícia Federal (PF), em 2009.   E, apesar de ter tirado o primeiro lugar no Ceará para virar policial rodoviária federal (PRF), não trocou de farda porque uma fraude ocorrida no Rio de Janeiro suspendeu a chamada dos aprovados no resto do País.  A decisão de estudar para concursos e se desligar da PM, conta o capitão Wagner, ganhou força depois que o militar passou a ser transferido com mais frequência de um quartel para outro na Capital e Interior cearenses. “Punição”, no entender do oficial que passou 12 anos e dez meses na PM.  As remoções teriam começado a partir de 2009 e intensificadas no ano passado. O capitão afirma que “somente” em 2011 passou pela 6ª Companhia do 5º Batalhão, serviu em Russas, Quixeramobim, Senador Pompeu e, por último antes de assumir uma cadeira na Assembleia, estava lotado no Hospital Militar.   Um requerimento enviado ao comandante geral da PM, na época o coronel William Rocha, em 2009, teria sido o estopim das animosidades entre os oficiais superiores que comandavam a polícia e o capitão.  No documento, Wagner Sousa fazia vinte considerações sobre os problemas crônicos e cotidianos da Corporação. Gritas antigas como os baixos vencimentos, falta de diálogo e a insatisfação, desta vez, de oficiais subalternos (tenentes) e intermediários (capitães). O descontentamento das praças, de tão recorrente, não era novidade e pouco comovia o andar de cima da PM e Secretaria da Segurança.

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