Não há como mensurar os sentimentos de medo e impotência que se abateram sobre a população entre os dias 2 e 3 de janeiro. No entanto, podemos ter uma noção do alcance dessa sensação pelos registros nas redes sociais. Até o dia 2, dados do site TweetReach informam que a hashtag #CaosEmFortaleza atingiu, potencialmente, cerca de 2.934 perfis do Twitter. No dia seguinte, esse universo aumentara para mais de 500 mil perfis em potencial. Quem acompanhou o início da avalanche de mensagens, como fizemos para o Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (LEV-UFC), pôde presenciar o poder que a linguagem possui para criar, modificar e manipular a realidade social. A informação postada no Twitter de um arrastão a um supermercado no Montese “com direito a tiroteio (sic)” foi o ponto de partida factual para que esse fenômeno pudesse ocorrer. Foi a partir daquele instante que os fatos e as versões se imbricaram de tal forma que não foi mais possível distinguir uma coisa da outra. No vácuo de informações e declarações oficiais, alguns usuários construíram seu próprio discurso sobre o caos. Imagens de homens assassinados, arrastões ocorridos em anos anteriores, críticas a políticos e PMs, relatos desencontrados e piadas sobre o tema foram sendo publicados de forma incessante. O material coletado está sendo analisado, mas neste espaço proporemos algumas reflexões sobre tudo que foi escrito ainda que a título de provocações.
O POVO Online