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Imagem da padroeira foi queimada dentro da Igreja Matriz e estarreceu o país

Santa Quitéria teve 90% da cabeça queimada, 70% das costas e parte da lateral direita, além da mão do lado direito que virou cinzas

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues Fonte: A Voz de Santa Quitéria
23/08/2023 às 10h11 Atualizada em 25/08/2023 às 07h49
Imagem da padroeira foi queimada dentro da Igreja Matriz e estarreceu o país
Fotos: Reprodução

A comunidade de Santa Quitéria acordou no dia 11 de janeiro de 2002, com um misto de profunda tristeza e estarrecimento, ao tomar conhecimento que a imagem da sua padroeira, datada de 1822, havia sofrido um atentado e sido queimada durante a madrugada, dentro da Igreja Matriz. O fato foi manchete nacional e chocou todo o País.

O ato foi praticado por Manoel Raimundo Mesquita (Manoel das Cobras), a época com 32 anos. Ele dormiu dentro da igreja, retirou a imagem do altar onde estava e junto com outras imagens sacras, bancos de madeira e adornos, jogou gasolina e depois ateou fogo. Santa Quitéria teve 90% da cabeça queimada, 70% das costas e parte da lateral direita, além da mão do lado direito que virou cinzas.

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No mesmo dia, Manoel das Cobras foi preso. Ele disse em depoimento que agiu “a mando de Deus, movido por uma inspiração divina, para que seja proclamada a justiça de Deus por todos os homens por ele amados”, segundo o delegado Vicente Damasceno. A família apresentou um atestado médico, sobre estado de saúde dele, que indicava sinais de esquizofrenia e outros problemas mentais.

No tempo em que o acusado permaneceu na Delegacia local, permaneceu cantando louvores e lendo a bíblia, que foi encontrada dentro da Matriz com outros pertences pessoais. Na mesma semana, ele foi encaminhado para o Hospital Mental de Messejana, em Fortaleza.

A partir disto, foram empreendidos todos os esforços para restaurar e recuperar as imagens danificadas. Liderados pelo pároco Edmilson Eugênio, prefeito Tomás Figueiredo e pessoas da comunidade, contataram o escultor Dinho Diniz, de Canindé. Os olhos que foram derretidos pelo fogo e as mil folhas de ouro vieram de São Paulo. “A cabeça, para voltar ao formato normal, estou usando pó de madeira cedro com cola, trabalhando oito horas por dia”, explicou o artista, em entrevista ao jornal Diário do Nordeste.

O trabalho, baseado em fotografias trazidas pelos fieis, foi concluído em 12 dias e Santa Quitéria foi devolvida ao seu povo, numa missa de reintronização celebrada com muita festa e fervor. “Foi meu primeiro grande trabalho, não tenho palavras para agradecer a confiança que me foi depositada para executar esta missão tão importante para os fieis desta terra”, disse Diniz, bastante emocionado.

O padre Jacó Sidarta e o escritor Cel. Mauro Mororó guardam até hoje, cinzas e pedaços queimados naquele incêndio. Recentemente, na exposição dos 200 anos da Paróquia, o episódio foi exposto em imagens e recortes de matérias, porém recordando principalmente a recuperação deste patrimônio para os quiterienses.

Fotos de Francisco Edison Silva e Antônio Carlos Alves (Diário do Nordeste) e reportagem cedida pela TV Jangadeiro

 

Nos próximos dias, A Voz de Santa Quitéria continuará a série sobre os 167 anos, com fatos e personagens que marcaram a história de nossa terra e nossa gente.