As aulas nas escolas começaram a pouco mais de uma semana, mas para as irmãs cearenses Luana e Marina vão durar apenas mais um mês. As meninas de 11 e 10 anos devem deixar Fortaleza neste mês de fevereiro para embarcarem por mais dois anos com os pais João Carlos, 54 anos, e Solange Macedo, 41 anos, no barco Casulo. A família cearense viaja pelo mundo desde 2007 e já passou por 28 países.
Os cearenses voltaram a Fortaleza no mês de dezembro depois de percorrerem no último ano 15 mil milhas náuticas dos Estados Unidos a Nova Zelândia, onde o barco modelo catamarã ficou para manutenção. “Queríamos viver com a sensação de liberdade”, conta João Carlos ao relatar o começo da aventura. Primeiro, o casal viajou de carro durante seis meses pelo Brasil e pela América do Sul. Depois da viagem, o engenheiro civil decidiu vender a construtura que era dono em Fortaleza e Solange deixou o cargo de professora universitária. O dinheiro foi investido em imóveis e, em 2003, o casal foi morar com as filhas na Nova Zelândia. No país peninsular, João Marcos, aos 45 anos, começou um curso de velejo e Solange um Doutorado em Educação. “Não sabia nada sobre velejar. Aprendi tudo na Nova Zelândia que é um dos locais com maior experiência para velejadores”, conta João.
Depois de toda a preparação, a família partiu para viagem pelo mar em 7 de julho de 2007 de Les Sables-d'Olonne, na França, onde compraram o barco, em direção a outros países europeus e, depois, atravessaram o Oceano Atlântico. “Era uma sexta-feira treze. Nos primeiros dias, acabamos quebrando uma peça de outro barco, mas resolvemos logo e seguimos a viagem”, lembra o “capitão”. A primeira fase da viagem terminou em 2009, quando chegaram em Fortaleza. Da capital cearense, a família partiu para a segunda fase da viagem em 2010 rumo aos Estados Unidos, passando pelo Caribe e Bahamas. A última fase da viagem começou em fevereiro de 2011 e seguiu por Cuba, México e Panamá até chegarem na Nova Zelândia. No último ano, a família relata que chegou a passar 18 dias em mar aberto quando atravessava o Oceano Pacífico. “Esse último ano foi muito intenso, ficamos mais tempo no barco do que em terra. Hoje eu posso dizer que o barco é uma extensão de mim”, afirma João. Os dois filhos do primeiro casamento do cearense também acompanhavam os tripulantes em viagens nesses quatro anos.
G1 CE