Ele já é um senhor de idade. Aos 80 anos, carrega tanto os problemas físicos quanto o rico conteúdo típico das idades avançadas. Entre problemas e conquistas, o Museu do Ceará segue como uma das instituições mais importantes para a preservação e difusão da história do Estado.
Primeiro museu criado pelo governo estadual, hoje seu acervo chega a quase 15 mil peças, entre roupas, mobília, pinturas, fotografias, moedas, documentos, armas, objetos religiosos e outros artefatos - com destaque para as coleções de arqueologia e antropologia indígena e, claro, para o corpo empalhado do famoso Bode Ioiô. Sede do Sistema Estadual de Museus (SEM-CE), o Museu do Ceará é um dos mais ativos, tanto pela programação de mostras temporárias e permanentes quanto de formação - desde a visitação de estudantes até a formação de professores e profissionais da área de museologia, além da manutenção de uma linha de publicações. O impacto, porém, ocorre mesmo antes de entrar, no encontro com a fachada do Palacete Senador Alencar, que abriga o Museu. Construído em 1871 para sediar a Assembleia Provincial do Estado, o prédio destaca-se pela imponência das colunas, janelas e da escadaria interna, em estilo neoclássico. O Palacete integra o conjunto de edificações do Centro histórico de Fortaleza, formado pela Igreja do Rosário, a Praça General Tibúrcio e o Palácio da Luz, entre outras. Antes de acolher o Museu do Ceará, foi ocupado pelo Liceu do Ceará, o Fórum, o Tribunal Regional Eleitoral, a Faculdade de Direito, a Biblioteca Pública, o Instituto do Ceará e a Academia Cearense de Letras.
Início: À época denominado Museu Histórico do Ceará, a instituição foi criada em 3 de fevereiro de 1932, pelo decreto nº 479, como parte do Arquivo Público do Estado. Seu organizador e primeiro diretor foi o historiador Eusébio Néri Alves de Sousa, responsável pelo cargo até 1942. A inauguração e abertura ao público, no entanto, aconteceram apenas no ano seguinte, quando passou a funcionar em um prédio na esquina das ruas 24 de Maio e Liberato Barroso. Em meados do ano seguinte, foi transferido para a Avenida Alberto Nepomuceno (vizinho à Praça da Sé, onde permaneceu até 1957). Até chegar ao Palacete, em 1990, o Museu do Ceará passou por outros três endereços.
Diário do Nordeste