A situação nas delegacias de Polícia Civil na Capital e Região Metropolitana voltou a ficar tensa, diante da superlotação. Até ontem à noite, cerca de 750 detentos lotavam as distritais, especializadas e metropolitanas, por conta da falta de vagas nos presídios e casas de custódia. O excedente chega a 300 por cento em relação à capacidade real de custódia nas DPs.
A realidade mais preocupante, segundo a direção da Polícia Civil, é a da Delegacia de Capturas e Polinter (Decap), onde, na noite de quarta-feira última foi evitada uma fuga em massa de presos. Um deles acabou ficando gravemente ferido ao pular de uma altura aproximada de quatro metros, o que lhe causou fratura nos pés. O homem segue hospitalizado.
Poucas vagas >> Segundo o diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE), delegado Jairo Pequeno, o represamento de presos nas delegacias é consequência de um efeito ´bola de neve´. "Quando a Sejus (Secretaria Estadual da Justiça e Cidadania) nos disponibiliza poucas vagas para a transferência de presos, o resultado é que provoca a superlotação nos nossos xadrezes", afirma. Semanalmente, a Sejus está liberando para a Polícia Civil em torno de 60 vagas. Mas, este número, segundo Jairo pequeno, é insuficiente para a demanda, já que, conforme a sua avaliação, seriam necessárias, pelo menos, 120 vagas todas as semanas. "O que está sendo autorizado é a metade do que necessitamos", assegura o delegado. A Sejus, por sua vez, tenta cumprir uma determinação da Justiça, segundo a qual, as unidades penais não podem exceder em mais de 20 por cento sua capacidade de recolhimento de presos. E todas as unidades - Casas de Privação Provisória da Liberdade/CPPLs, presídios, penitenciárias e cadeias públicas - apresentam também superlotação. Até mesmo a recém-inaugurada Penitenciária de Pacatuba já está com sua capacidade no limite e para lá somente são mandados réus já condenados.
Diário do Nordeste