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Batismo é o bem maior que os pais podem oferecer à alma dos filhos

Confira a coluna do padre Reginaldo Manzotti

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
17/01/2025 às 15h59
Batismo é o bem maior que os pais podem oferecer à alma dos filhos
Foto: Ruslan Lytvyn/Shutterstock

Filhos e filhas,

Agradeço imensamente todas as manifestações de carinho e homenagens pelos meus 30 anos de sacerdócio, que Deus os retribua em bênçãos e graças. 

No último domingo, celebramos a liturgia do Batismo do Senhor e gostaria de aproveitar essa mensagem, lembrando que o tema litúrgico do domingo ecoa durante toda a semana, para tentar explicar algumas dúvidas que me chegam sobre o batismo de crianças. Muitos acham que não há necessidade de batizar uma criança porque ainda não crê e, sobretudo, não tem pecados.

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Em relação ao primeiro impedimento levantado, não se justifica, uma vez que os pequenos são batizados na fé da Igreja a pedido dos responsáveis, os quais, com a ajuda dos padrinhos, assumem o compromisso de conduzi-los na fé, instruí-los nas Sagradas Escrituras e iniciar sua participação na Igreja até que possam atingir, com o Sacramento da Crisma, o estágio da fé madura.

Quanto à ausência de pecados, de fato, não existe pureza maior que a de uma criança, a ponto de Nosso Senhor dizer: “Deixai vir a mim os pequeninos, porque deles é o reino dos céus!” (Mc 14, 10). Contudo, não é ao pecado cometido que o Batismo se refere, e sim ao pecado original.

Todos nós nascemos com a herança do pecado cometido por Adão (cf. Rm5, 12). Como ensina o Catecismo da Igreja Católica: “Por nascerem com uma natureza humana decaída e manchada pelo pecado original, também as crianças precisam do novo nascimento no Batismo, a fim de serem libertadas do poder das trevas e transferidas para o domínio da liberdade dos filhos de Deus, para o qual todos os homens são chamados” (CIC § 1250). Em outra citação do Catecismo, afirma-se: “A circuncisão de Jesus, no oitavo dia depois de seu nascimento, é sinal de sua inserção na descendência de Abraão, no povo da Aliança. Este sinal prefigura a 'circuncisão de Cristo', que é o Batismo” (CIC § 527).

Na Nova e Eterna Aliança, por sua vez, o Batismo é que nos insere na família de Deus, conforme está explicado na Carta de São Paulo aos Efésios (cf. Ef 2,11-22) e confere a possibilidade de participação na vocação única do povo escolhido – ser sacerdote, profeta e rei. Trata-se de um sacramento de iniciação que abre as portas para todos os outros sacramentos, apaga totalmente o pecado original e nos faz renascer para uma vida nova em Cristo. Além disso, infunde-nos a graça santificante, as virtudes infusas e os dons do Espírito Santo.

Os pais não esperam os filhos crescerem para proporcionar a eles boa educação. Assim também se deve agir em relação ao Batismo: trata-se do bem maior que os pais podem oferecer à alma dos filhos, porque é a partir dele que a graça, enquanto princípio natural, começa a trabalhar, embora ainda não possam professar a fé.

O Novo Testamento menciona o Batismo como arrependimento e profissão de fé, em referência à geração de pagãos e seguidores de outras religiões que se converteram a Cristo pela pregação da Palavra. Certamente, uma criança não pode tomar esse tipo de iniciativa, mas não podemos esquecer que os convertidos professaram a fé cristã e se batizaram, como também a “todos os seus”, sendo este o caso de Cornélio (At 10, 1s.24.44.47s), do carcereiro (At 16, 33) e da família de Estéfanas (1 Cor 1, 16), entre outros exemplos. Embora não seja comentado de forma explícita, provavelmente haviam crianças em seus clãs. Outro importante parâmetro é dado pela tradição da Igreja Primitiva, o Didaquê, também conhecido como Manual dos Apóstolos, que prescreve o Batismo para crianças. Orígenes (185-255 d.C.), o Cristão, assim se expressa: “A Igreja recebeu dos Apóstolos a tradição de dar Batismo também aos recém-nascidos” (Epist. ad Rom. Livro 5, 9).

Por tudo isso, quanto mais cedo possível, pais batizem seus filhos!

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti