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Cultura: Ceará em novas rimas

Cultura: Ceará em novas rimas

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
25/04/2012 às 11h16 Atualizada em 25/04/2012 às 11h16
A Capital não está no roteiro por acaso. Dos 15 cordelistas selecionados para a Antologia, quatro são cearenses - Arievaldo e Klévisson Viana (esse último, fundador da editora Tupynanquin, especializada em literatura de cordel), Evaristo Geraldo da Silva e Rouxinol do Rinaré, todos representantes da nova geração de autores e referência no País.O livro reúne um texto de cada autor, entre pioneiros (como Leandro Gomes de Barros, nascido em 1865, cujo "O soldado jogador" abre a publicação) e clássicos (José Pacheco, Francisco Salles Arêda) até contemporâneos (além dos cearenses, há nomes como Pedro Monteiro e o próprio Marco Haurélio). As ilustrações ficaram a cargo do xilogravurista Erivaldo.É a primeira vez que uma antologia contempla cordelistas da nova geração, bem como a produção de diferentes estados, como Ceará, Pernambuco, Paraíba, Bahia e Piauí. "Esse é o grande mérito do livro. Ao inserir o trabalho de autores contemporâneos e clássicos, alguns já falecidos, outro cujas obras eram significativamente ignoradas, Marco Haurélio apresenta um rico panorama do cordel hoje no Brasil", elogia Arievaldo.Para o cearense, trata-se de uma opção emblemática, pois foi essa nova geração a responsável pela retomada do cordel após duas décadas de enfraquecimento do gênero."Nos anos 1980 e 90, as principais editoras especializadas fecharam suas portas, como a Lira Nordestina, em Juazeiro do Norte. Pesquisadores chegaram a decretar a morte do romance de cordel. No período, predominou o folheto reportagem, quase sempre de qualidade duvidosa", critica Arievaldo.Os quatro cordelistas (reunidos na entrevista para esta matéria) concordam que o romance é o tipo de texto que realmente define o gênero cordel. "Requer maior engenhosidade do autor, personagens bem construídos, uma trama mais rica", ressalta Klévisson.Atualmente, muitos cordéis são adaptações de obras em prosa de autores clássicos, como José de Alencar - segundo Arievaldo, uma exigência do mercado, que não deixa de contribuir para a difusão do cordel, especialmente entre os jovens. Não por acaso, um dos espaços onde o gênero é privilegiado é a escola. Todos os cearenses participantes da antologia, por exemplo, mantêm projetos vinculados a órgãos governamentais de educação (municipal, estadual ou federal). As iniciativas variam desde oficinas até participação em programas como o Alfabetização na Idade Certa (Paic)."O melhor caminho para o cordel, hoje, é a sala de aula. Os leitores tradicionais não renovam seus referencias, querem os cordéis clássicos, que conhecem desde meninos", destaca o agente e entusiasta da cultura popular e Antônio Andrade Leal, também presente na entrevista. "E foi essa nova geração de cordelistas, de 10, 15 anos para cá, que levou o cordel para as escolas", explica.

Diário do Nordeste