
A compra de mais de 1 mil caixas para guardar jogos educativos, com valores de R$ 99 por unidade, nas escolas municipais de Várzea Alegre, no interior do Ceará, virou alvo de denúncia por suspeita de superfaturamento. O questionamento vai além do preço: enquanto o contrato previa a aquisição de caixas de MDF, uma das escolas continha caixas de papelão.
Após ofício enviado pelo vereador Michael Martins (PSB), apontando também preços elevados de outros itens comprados para Laboratórios Didáticos Móveis de Matemática, o Ministério Público do Ceará deu o prazo de 20 dias para que a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Educação forneçam informações sobre o processo de licitação.
O contrato total tem um valor de R$ 852 mil, firmado em agosto de 2025 com a empresa Interdisciplinar Educacional LTDA, de Fortaleza. No documento, aparecem valores como: armário de R$ 23 mil, jogos pedagógicos de R$ 18 mil e conjuntos de cinco livros didáticos por R$ 23 mil.
Em resposta ao g1, a secretária municipal da Educação, Fábia Oliveira, afirmou que o contrato para implementação dos laboratório de matemática foi conduzido dentro de todos os preceitos legais e regulamentares que regem as licitações públicas, refletindo as melhores práticas de mercado. A gestora também aponta que as caixas de papelão mostradas pelo vereador em vídeo nas redes sociais são apenas materiais que foram utilizados no transporte dos itens comprados. Segundo a gestão, as caixas de MDF ainda serão entregues.
Uma denúncia anônima baseou o levantamento de informações feito pelo vereador Michael Martins. Na segunda-feira (24), ele fez uma visita de fiscalização à escola Dr. Dário Batista Moreno, após a entrega do laboratório de matemática na unidade. No local, foram encontrados materiais como dezenas de caixas de papelão e um dos armários comprados no processo licitatório.