
O Ceará encerrou 2025 com o maior crescimento do Brasil nas exportações, na comparação com os números do ano anterior, mesmo em um cenário de barreiras comerciais, com o tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Na contramão da crise, o estado alcançou resultados históricos nas vendas para o exterior.
Em valores, as exportações cearenses saltaram de 1,5 bilhão de dólares em 2024 para 2,3 bilhões de dólares em 2025, um crescimento de 56%. A siderurgia foi o principal motor desse avanço, somando 1,18 bilhão de dólares, mais que o dobro do registrado no ano anterior. Outros segmentos também tiveram papel relevante no resultado, como calçados, óleos e gorduras vegetais e minerais não metálicos.
A secretária executiva da Indústria do Ceará, Brígida Miola, destacou o desempenho do estado diante das dificuldades do cenário global. “Foi um cenário geopolítico muito desafiador, onde nós tínhamos tudo para que esses números fossem mais baixos. E o estado do Ceará, diferente dos outros, liderou os números de exportação, sendo o primeiro em exportação de todo o Brasil.”
No agronegócio, o estado também apresentou avanço. A fruticultura e os pescados ampliaram mercados e contribuíram para o bom desempenho das exportações, apesar das dificuldades impostas pelo comércio internacional. Segundo o secretário executivo do Agronegócio do Ceará, Silvio Carlos, houve um trabalho focado na abertura de novos mercados. “Tivemos um trabalho forte de promoção da fruta brasileira, principalmente da fruta cearense, abrindo os mercados. Tivemos aí um incremento de uma área maior de melão. Melão é a cultura mais exportada. E tivemos esse incremento que favoreceu esses números.”
Para o Governo do Estado, o resultado positivo está diretamente ligado ao diálogo com o setor produtivo e aos incentivos fiscais. O secretário da Casa Civil do Ceará, Chagas Vieira, afirmou que as ações foram adotadas como resposta ao tarifaço norte-americano. “Isso daí é resultado de uma política econômica de longo prazo, liderada pelo nosso governador Elmano de Freitas, logo que a gente teve o anúncio do tarifaço dos Estados Unidos. Procurou várias ações para poder mitigar os efeitos do tarifaço junto às empresas que exportam, principalmente.Um diálogo mais próximo ao setor produtivo exportador, ações através do FDI, que é o Fundo de Desenvolvimento Industrial, com incentivos, auxiliando essas empresas que exportam para o mercado exterior”, explica.
Em novembro, o governo dos Estados Unidos anunciou a retirada da tarifa de vários produtos brasileiros, mas o pescado ficou de fora. Mesmo com a manutenção da taxa, o setor tem conseguido um fôlego momentâneo. Para o empresário Paulo Gonçalves, o apoio do governo estadual tem sido fundamental. “O que a gente consegue mandar para outros mercados, nós estamos enviando para outros mercados. O que a gente não consegue mandar para outro mercado, a gente continua enviando para o mercado norte-americano, mas o governo do estado vem nos dando suporte até o momento. Em dezembro o governador estendeu para até fevereiro [as medidas de amparo às empresas]. Isso é o que está dando fôlego ao setor exportador de pescado.”
A expectativa do setor é retomar o acesso ao mercado da União Europeia, o que abriria uma nova frente de exportação e reduziria a dependência do mercado norte-americano. “Vai ter auditoria a partir do mês de julho da União Europeia aqui no Brasil. Nós pretendemos estar aptos para receber a auditoria e sermos aprovados para voltar a vender pescado na União Europeia”, afirmou Paulo Gonçalves.
Para 2026, a projeção é de continuidade na expansão das exportações. Brígida Miola afirma que o desempenho reforça a competitividade do estado no cenário internacional. “A gente está bem otimista. Esses números demonstraram o quanto o estado do Ceará tem força e competitividade para estar no mercado exterior, que o produto made in Ceará, que a gente fala, o produto cearense, ele tem uma capacidade muito grande de integrar e ser um dos líderes dentro do mercado internacional.”