
Um técnico de enfermagem, de 24 anos, suspeito de matar três pacientes na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF),teria injetado desinfetante mais de dez vezes na mesma vítima em um só dia. A aplicação teria sido feita em uma idosa, de 75 anos, com a utilização de uma seringa.
A informação faz parte das investigações da Polícia Civil do estado. Segundo a corporação, o profissional de saúde é Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo. Outras duas técnicas, identificadas como Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, também são investigadas pelas mortes.
De acordo com as apurações policiais, os suspeitos aplicavam medicamentos de forma irregular na veia dos pacientes. Marcos Vinícius é investigado por administrar doses letais de remédios a pacientes internados na UTI, com o objetivo de matá-los. Ele atuava há pelo menos cinco anos no hospital.
As investigações apontam que o técnico aguardava a reação dos enfermos, que sofriam parada cardíaca. Além disso, devido a presença de outros integrantes no quarto, ele realizava manobras de reanimação na vítima. O intuito era"disfarçar" o crime.
A polícia ainda descobriu que em um dos casos, o técnico usou a conta de um médico para acessar o sistema do hospital. A partir da primeira entrada, ele prescreveu um medicamento errado. Além disso, teria ido até a farmácia para buscar os remédios, os preparado, e escondido no jaleco para aplicar na veia dos pacientes.
Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, 22 e 28 anos, são investigadas por negligência e possível coautoria nos crimes. Conforme apontam as investigações, Amanda trabalhava em outro setor do hospital, mas era amiga de longa data de Marcos. Já Marcela era nova na instituição e recebia instruções do técnico acerca do serviço no setor. Segundo a polícia, elas seriam responsáveis por observar a porta para que ninguém entrasse. Assim, teriam auxiliado em dois dos casos investigados.
De acordo com Márcia Reis, diretora do IML (Instituto Médico Legal), os pacientes que morreram apresentavam gravidades diferentes de quadro clínico. As suspeitas tiveram início após a piora súbita em momentos repetidos. Assim que o hospital detectou conduta suspeita, os envolvidos foram demitidos e as autoridades foram notificadas. O crime foi descoberto após a análise de câmeras de segurança dos leitos e prontuários médicos dos pacientes. As famílias foram informadas sobre o ocorrido.