Quarta, 21 de Janeiro de 2026
21°C 33°C
Santa Quitéria, CE
Publicidade

Ceará vive a pior pré-estação desde 1982; projeções para a quadra chuvosa preocupam

A pré-estação (dezembro e janeiro) serve como indicador inicial para a estação chuvosa, ajudando na previsão de volumes anuais e no planejamento agrícola e hídrico

Raflézia Sousa
Por: Raflézia Sousa Fonte: Portal GCMAIS
21/01/2026 às 17h50
Ceará vive a pior pré-estação desde 1982; projeções para a quadra chuvosa preocupam
Foto: Maciel Bezerra / Funceme

O estado do Ceará vive, atualmente, a segunda pior pré-estação já registrada, em volume de chuvas, segundo dados divulgados pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos do Estado do Ceará (Funceme) nesta quarta-feira (21). A pré-estação mais seca foi observada em 1982, há 44 anos.

O período de pré-estação chuvosa no Ceará compreende os meses de dezembro e janeiro, atuando como fase de transição antes da quadra chuvosa principal, que ocorre de fevereiro a maio. Os resultados abaixo da média para o período geram preocupação sobre as precipitações da quadra chuvosa deste ano.

Continua após a publicidade
Anúncio

Em janeiro, foram registrados, até o momento, apenas 10 mm, no estado como um todo; a média para o período, no entanto, é de 100 mm. Os registros de dezembro também foram abaixo da média para o Ceará.

Conforme informado, o prognóstico climático para o trimestre (compreendendo os meses de fevereiro, março e abril) é de 40% de probabilidade de chuvas abaixo da média; 40% de probabilidade de níveis normais de chuvas; e 20% de probabilidade de chuvas acima da média.

A probabilidade de chuvas abaixo da média preocupa, conforme os analistas da Funceme, inclusive porque hoje a capacidade dos reservatórios do estado gira em torno de 38%, segundo a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Estado do Ceará (Cogerh).

Dezembro

As chuvas registradas no Ceará em dezembro tiveram um desvio negativo em relação à média histórica: o acumulado médio observado no estado foi de 18,9 milímetros, enquanto a normal climatológica para o mês é de 31,3 milímetros, uma redução em torno de 40%.

A distribuição das chuvas foi irregular entre as regiões cearenses. O centro-norte do estado concentrou os principais desvios negativos, com acumulados abaixo do esperado para o período. Em contrapartida, o centro-sul apresentou municípios com registros acima da média.

Entre os maiores acumulados, destacaram-se os municípios de Quixelô, com 139 milímetros, Crato, com 120,3 milímetros, e Ipaumirim, onde foram registrados 115,7 milímetros ao longo do mês. Esses volumes contribuíram para elevar a média regional, mesmo diante de déficits observados em outras áreas do estado.

Seca grave relativa

De acordo com a atualização mais recente do Mapa das Secas, 42,04% do território cearense apresenta condição de seca grave, atingindo diretamente 95 municípios do estado. Esse é o pior cenário registrado desde dezembro de 2018, quando se observa a proporção de área afetada por seca grave. O agravamento do quadro está associado, principalmente, à escassez de chuvas ao longo do segundo semestre de 2025, período que normalmente contribui para a recomposição hídrica em diferentes regiões do estado, mas que, desta vez, apresentou volumes abaixo do esperado.

Com o avanço da seca grave, os impactos já começam a ser sentidos em diversas áreas. Entre os principais efeitos destacados pelo Monitor estão as perdas prováveis de culturas agrícolas e pastagens, a escassez de água em comunidades rurais e urbanas e a imposição de restrições no uso da água, especialmente em municípios mais vulneráveis.

Quadra chuvosa de 2025

A quadra chuvosa de 2025, que vai de fevereiro a maio, terminou com chuvas abaixo da média em 59,4% do território cearense, segundo balanço da Funceme. Apenas 5% do estado registrou precipitações acima da média. As regiões mais impactadas pela falta de chuva foram o Sertão Central e Inhamuns, Serra da Ibiapaba e Vale do Jaguaribe. O volume médio observado no estado foi de 517,6 milímetros, representando um desvio negativo de 15% em relação à média histórica, que varia de 512,5 mm a 705,9 mm.

Apesar do desempenho abaixo do esperado em boa parte do interior, algumas regiões tiveram situação confortável, como Acaraú, Coreaú, Litoral, Região Metropolitana, Serra da Ibiapaba, Curu e Alto Jaguaribe, com volumes acima de 70% da capacidade dos reservatórios.