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Falta de leitos de UTI no Ceará: veja como proceder em casos de urgência

Com alta demanda na central de regulação, entidades médicas cobram ampliação da oferta e orientam familiares sobre caminhos possíveis

Raflézia Sousa
Por: Raflézia Sousa Fonte: Opinião CE
18/02/2026 às 07h33
Falta de leitos de UTI no Ceará: veja como proceder em casos de urgência
Foto: Ministério da Sáude/Divullgação

Pacientes em estado grave enfrentam dificuldade para conseguir leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Ceará, especialmente em Fortaleza, conforme o Sindicato dos Médicos do Ceará e a Federação Nacional dos Médicos (Fenam). Diante disso, as entidades cobram a ampliação urgente do número de leitos no Estado.

Em 5 de fevereiro de 2026, cerca de 64 mil pessoas aguardavam procedimentos na central de regulação, segundo dados do IntegraSUS. Atualmente, o sistema recebe, em média, 90 solicitações diárias de leitos de UTI.

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Entre agosto de 2024 e julho de 2025, foram registradas aproximadamente 15.500 ações judiciais relacionadas à saúde pública no Ceará. Parte significativa dessas demandas envolve pedidos de internação em UTI.

“Não temos a quantidade suficiente”, diz dirigente

Diretor de Ensino Médico da Fenam e presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, Edmar Fernandes afirma que a categoria tem alertado há anos para a insuficiência de leitos.

“Nós há muito tempo solicitamos que aumente o número de leitos de UTI para dar o devido atendimento à nossa população. Em fevereiro, na última contagem, tinham pelo menos 65 mil procedimentos que estariam precisando do leito de UTI para poder fazer o procedimento ou, se fosse para internar o paciente”, declarou.

Segundo ele, há cirurgias consideradas graves em que o paciente, ao sair do centro cirúrgico, precisa ser encaminhado inicialmente para a UTI, e não para um quarto de enfermaria. “Tem algumas cirurgias que o paciente, quando termina, ele não vai só para um quarto de enfermaria, ele vai primeiro para a UTI. E nós não temos a quantidade suficiente. Nesses últimos dias teve pacientes que morreram nas UPAs por falta de leito de UTI. O paciente aparece lá grave, isso também nos hospitais. É ligado para a central de regulação, solicita o leito de UTI, mas não tem na rede”, afirmou.

Edmar também questiona os limites da judicialização diante da escassez estrutural. “Muitas vezes o pessoal aciona a Justiça para conseguir esse leito, mas se não tem leito, por mais que o juiz determine, como é que vai conseguir? A única solução é que os municípios e o Estado se comprometam a aumentar os leitos”, disse.

O dirigente acrescenta que a situação acaba gerando disputa entre pacientes. “É como se tivesse um conflito entre as pessoas que estão precisando. Quem consegue decisão judicial acaba passando na frente. Isso coloca em risco a população”, avaliou.

Como proceder

Nos casos em que o paciente necessita de leito de UTI, o primeiro passo é que a unidade de saúde onde ele está internado formalize a solicitação de vaga por meio da central de regulação do Estado.

Em situações de demora ou negativa, os familiares podem solicitar à equipe médica um relatório detalhado que justifique a urgência do leito, procurar a Defensoria Pública ou um advogado particular para ingressar com ação judicial e ainda registrar a situação junto ao Ministério Público, que pode atuar na defesa do direito à saúde.

A judicialização tem sido um dos caminhos adotados por familiares para tentar garantir o acesso ao leito quando a regulação não atende em tempo considerado adequado.

Recomendações e cobrança por ampliação

Segundo recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, a proporção ideal é de um a três leitos de UTI para cada 10 mil habitantes. O Sindicato dos Médicos do Ceará afirma que tem intensificado a pressão pela ampliação de leitos adultos, pediátricos e neonatais. Para as entidades, o aumento da oferta é fundamental para reduzir riscos em situações críticas e evitar mortes evitáveis.

A expansão da rede de UTIs é considerada medida estratégica para garantir atendimento adequado e melhores condições de trabalho aos profissionais de saúde, especialmente em períodos de alta demanda, como epidemias ou crises sanitárias.

As cobranças são reforçadas por Edmar Fernandes. “O Sindicato dos Médicos do Ceará vai continuar insistindo nisso, porque isso é uma questão de saúde pública, da vida das nossas pessoas”, concluiu.

A equipe do Opinião CE entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Ceará, mas até o fechamento dessa matéria não houve retorno.