Terça, 24 de Fevereiro de 2026
21°C 32°C
Santa Quitéria, CE
Publicidade

Para onde vão os cearenses? Estudo expõe deslocamentos dentro do estado e revela quais cidades ganharam e perderam moradores

De acordo com a pesquisa, a capital cearense apresentou saldo migratório negativo, com a saída de pessoas para Caucaia, Maracanaú e Horizonte; Barbalha e Sobral foram os municípios que tiveram maior saldo migratório positivo em suas respectivas regiões

Rita de Cássia
Por: Rita de Cássia Fonte: Urb.news
24/02/2026 às 08h56
Para onde vão os cearenses? Estudo expõe deslocamentos dentro do estado e revela quais cidades ganharam e perderam moradores
Foto: Ascom - Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor)

Um estudo realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e publicado neste sábado (21) na revista científica Informe GEPEC analisa os fluxos migratórios nas três principais metrópoles do Ceará: Fortaleza (RMF), Cariri (RM Cariri) e Sobral (RM Sobral).

Utilizando dados do Censo Demográfico de 2010, os pesquisadores investigaram os deslocamentos entre núcleo (cidades-pólo, a saber: Fortaleza, Juazeiro do Norte e Sobral) e periferia (cidades da região metropolitana, exceto núcleo), além das migrações entre municípios periféricos, destacando áreas de atração, retenção e perda populacional.

O estudo foi conduzido pelo doutorando Ricardo Monteiro de Carvalho, orientado pela professora Silvana Nunes de Queiroz, ambos vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Demografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (PPGDEM/UFRN). 

Continua após a publicidade
Anúncio

De acordo com a análise, Fortaleza apresentou saldo migratório negativo, com muitos moradores se mudando para municípios periféricos como Caucaia, Maracanaú e Horizonte.

Essa tendência reflete fatores como o aumento do custo de vida e a saturação urbana na capital, enquanto os municípios vizinhos oferecem melhores condições de vida e oportunidades econômicas. Horizonte se destacou como área de retenção populacional, com saldo positivo em todos os fluxos migratórios, impulsionado por seu polo industrial e comércio forte.

Demais regiões metropolitanas avaliadas no estudo

A RM Cariri mostrou ter uma dinâmica migratória mais equilibrada, com forte interação entre os municípios do triângulo CRAJUBAR (Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha). Juazeiro do Norte atraiu migrantes de todos os municípios da região, consolidando-se como o núcleo econômico e social.

Já os municípios Crato e Barbalha também se destacaram como polos atrativos, devido à presença de universidades, hospitais e indústrias. Municípios como Nova Olinda e Caririaçu apresentaram saldos positivos, enquanto Farias Brito e Jardim registraram perdas populacionais.

Sobral revelou um padrão centralizador, concentrando os fluxos migratórios e apresentando saldo positivo. O município atraiu migrantes de toda a região Norte do estado, graças à sua infraestrutura, oportunidades de emprego e educação, além de ser um polo industrial e comercial. Em contraste, os municípios periféricos mostraram baixa atratividade, com exceções como Frecheirinha, que se destacou pela produção industrial de peças íntimas.

O que se pode concluir a partir do estudo

A análise conclui que as dinâmicas migratórias no Ceará são influenciadas por fatores econômicos, sociais e territoriais específicos de cada região. Enquanto a região metropolitana de Fortaleza enfrenta um processo de desconcentração populacional, a RM Cariri apresenta uma interação mais equilibrada entre seus municípios, e a RM Sobral se caracteriza por uma centralização acentuada em seu núcleo (Sobral).

Os pesquisadores destacam a necessidade de políticas públicas que promovam o desenvolvimento das áreas periféricas, reduzam as desigualdades regionais e incentivem uma metropolização mais equilibrada. Investimentos em infraestrutura, saúde, educação e emprego são fundamentais para fortalecer a autonomia dos municípios periféricos e melhorar a qualidade de vida da população.