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Monitor das Secas: 68 cidades do Ceará voltam a registrar seca extrema

Os registros de chuva na pré-estação foram abaixo da média e as projeções para a quadra chuvosa preocupam no Ceará

Rita de Cássia
Por: Rita de Cássia Fonte: GC Mais
24/02/2026 às 09h00
Monitor das Secas: 68 cidades do Ceará voltam a registrar seca extrema
Foto: Divulgação / Funceme

Dados do Monitor de Secas indicam que 68 municípios do estado do Ceará voltaram a registrar situação de seca extrema, em meio a registros abaixo da média para a pré-estação chuvosa. Com isso, há efetivamente um agravamento da seca no estado, principalmente nas regiões sul e leste.

Por outro lado, ainda segundo o Monitor, devido às chuvas acima da média na faixa litorânea, houve o abrandamento da seca na região, que passou de moderada para fraca. O levantamento é feito por instituições que monitoram o clima, incluindo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).

Ceará tem mais de 100 cidades com seca grave ou moderada

No restante do estado, há ainda 28 cidades com seca grave e 87 com situação de seca moderada. Trata-se, conforme os dados, da pior situação de seca no estado desde 2019, há sete anos.

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Projeções para a quadra chuvosa

As projeções para a quadra chuvosa de 2026 preocupam. Conforme informado pela Funceme, o prognóstico climático para o trimestre (compreendendo os meses de fevereiro, março e abril) é de 40% de probabilidade de chuvas abaixo da média; 40% de probabilidade de níveis normais de chuvas; e 20% de probabilidade de chuvas acima da média.

A probabilidade de chuvas abaixo da média preocupa, conforme os analistas da Funceme, inclusive porque hoje a capacidade dos reservatórios do estado é considerada insuficiente.

Em janeiro, foram registrados, até o momento, apenas 10 mm, no estado como um todo; a média para o período, no entanto, é de 100 mm. Os registros de dezembro também foram abaixo da média para o Ceará: o acumulado médio observado no estado foi de 18,9 milímetros, enquanto a normal climatológica para o mês é de 31,3 milímetros, uma redução em torno de 40%.

Quadra chuvosa de 2025

A quadra chuvosa de 2025, que vai de fevereiro a maio, terminou com chuvas abaixo da média em 59,4% do território cearense, segundo balanço da Funceme. Apenas 5% do estado registrou precipitações acima da média. As regiões mais impactadas pela falta de chuva foram o Sertão Central e Inhamuns, Serra da Ibiapaba e Vale do Jaguaribe. O volume médio observado no estado foi de 517,6 milímetros, representando um desvio negativo de 15% em relação à média histórica, que varia de 512,5 mm a 705,9 mm.

Apesar do desempenho abaixo do esperado em boa parte do interior, algumas regiões tiveram situação confortável, como Acaraú, Coreaú, Litoral, Região Metropolitana, Serra da Ibiapaba, Curu e Alto Jaguaribe, com volumes acima de 70% da capacidade dos reservatórios.

Após o fim da quadra chuvosa, 36 municípios cearenses tiveram reconhecimento de situação de emergência por conta de desastres naturais, como seca, estiagem, chuvas intensas, enxurradas e vendavais. Os dados constam no Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (S2iD), do Governo Federal. O reconhecimento federal permite que os municípios afetados tenham acesso a recursos complementares para ações de resposta e reconstrução. Em casos de seca ou estiagem em cidades do Ceará ou em outros estados, o procedimento é necessário para integrar a Operação Carro-Pipa.