
O Ceará Sem Fome completa, neste ano, três anos desde a sanção da lei estadual que instituiu o programa de combate à insegurança alimentar no Estado. Criado no início da gestão do governador Elmano de Freitas, o programa foi estruturado após diagnósticos indicarem o avanço da fome no Ceará, agravado pelos efeitos econômicos e sociais da pandemia de Covid-19. A proposta reúne distribuição de refeições, transferência de renda e qualificação profissional.
De acordo com dados do governo estadual, o programa mantém atualmente 1.300 cozinhas credenciadas, responsáveis pela entrega diária de cerca de 130 mil refeições. Desde o início da execução, mais de 65 milhões de quentinhas foram distribuídas em municípios cearenses.
Em Fortaleza, a Cozinha Queira Bem, no bairro Granja Portugal, atende moradores da região. A dona de casa Francisca Maria está entre as beneficiárias. “É um ótimo almoço, excelente mesmo!! O cardápio é bom e tem tudo o que a gente precisa para estarmos bem nutridos. Desde que eu entrei aqui, minha vida tem melhorado bastante. Eu só quero agradecer e parabenizar vocês. Que continuem fazendo tudo por amor e pensando no próximo porque tem muita gente precisando”.
Além das cozinhas, o programa opera o Cartão Ceará Sem Fome, voltado a famílias em situação de extrema pobreza. O benefício mensal é de R$ 300 para compra exclusiva de alimentos. Segundo o balanço oficial, 47 mil famílias recebem o valor, que pode ser utilizado em 3.673 estabelecimentos credenciados, incluindo cooperativas da agricultura familiar.
Cerca de 95% dos titulares do cartão são mulheres. Entre elas está Luciana Fernandes, mãe de três crianças. “O que meus meninos mais gostam é carne moída, com uma saladinha de verduras. Sou muito grata por esse cartão que recebi. Chegou em uma boa hora, porque quando um filho pede uma coisa para comer, a gente tem”, relata.
O assessor técnico do programa, Cícero Cavalcante, afirma que a criação da política ocorreu em um contexto de aumento da vulnerabilidade social. “Naquele período, o Brasil havia retornado ao mapa da fome e a situação no Ceará tinha se agravado. Levantamentos realizados pelo Ipece e pesquisas nacionais diagnosticavam uma realidade muito dura da fome no Estado. Havia, portanto, a necessidade de agir de forma urgente e imediata. Uma das principais diretrizes foi analisar tudo o que já existia, aproveitando experiências anteriores como o Mais Nutrição, o Cartão Mais Infância e o Vale Gás, sempre com um amplo trabalho de escuta construído junto aos movimentos sociais”, destaca.
O programa também mantém o eixo +Qualificação e Renda. Até julho de 2025, 27.610 beneficiários participaram de cursos em 174 municípios. Segundo os dados divulgados, 83,5% dos participantes são mulheres.
O balanço aponta ainda 617 beneficiários com acesso a microcrédito pelo Ceará Credi até julho de 2025 e 7.829 admissões no mercado formal até outubro do mesmo ano.
A ex-beneficiária Rosimeire Granjeiro participou de curso na área de gastronomia e, posteriormente, conseguiu emprego. “Agora é uma nova etapa da minha vida. Meus pensamentos para o futuro são outros. Hoje eu posso sonhar. Antes, eu não sonhava. Trabalhar dignifica a pessoa. A gente não pode desistir. Foi através do curso que eu consegui essa oportunidade”, afirma.
Com mais de 200 instituições pactuantes entre entes públicos, privados e organizações da sociedade civil, o Ceará Sem Fome mantém atuação em diferentes frentes. Ao completar três anos, o programa segue como uma das principais políticas estaduais voltadas ao enfrentamento da insegurança alimentar no Ceará.