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Mpox no Ceará: Estado monitora casos suspeitos após alerta nacional

Com 88 casos confirmados de mpox no País, Ceará investiga quatro suspeitas sob monitoramento. Proteção de grupos imunossuprimidos é a prioridade

Rita de Cássia
Por: Rita de Cássia Fonte: O POVO
04/03/2026 às 10h35
Mpox no Ceará: Estado monitora casos suspeitos após alerta nacional
TCHANDROU NITANGA / AFP

No Ceará, embora o cenário seja de controle, conforme a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) nesta segunda-feira, 2, os quatro casos suspeitos seguem em análise.

Ao todo, o Ceará realizou 12 notificações neste ano, das quais oito já foram descartadas. Apesar de não haver confirmações no Estado até o momento, a Sesa mantém orientações de vigilância. O contágio ocorre principalmente pelo contato direto com lesões cutâneas e fluidos corporais.

“Não podemos ainda chamar de surto. Casos de hipóteses em geral acontecem uma vez por outra ao longo dos meses desde 2022. Não é como se ela realmente estivesse vindo como uma doença nova”, explica o médico infectologista Luís Arthur Brasil, do Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ), localizado na Capital.

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Qual é o cenário epidemiológico da mpox no Ceará?

Até o dia 20 de fevereiro, o Brasil contabilizava 48 casos confirmados. Em poucos dias, esse número praticamente dobrou. Além dos confirmados, há 171 suspeitas em todo o território nacional.

Para o infectologista Luís Arthur Brasil, que colaborou com documentos para a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), o aumento recente, que coincide com o período pós-carnavalesco, não deve ser classificado como um contágio isolado.

“O contato próximo nas festas pode ter facilitado o surgimento de novos registros, mas, no Ceará, o volume segue o padrão dos anos anteriores, com um a três casos por mês”, explica o médico. Em 2025, foram registradas 13 confirmações da doença; em 2024, foram 24.

A principal via de transmissão documentada é o contato próximo, íntimo e prolongado. Embora a relação sexual seja um facilitador, o infectologista ressalta que o contágio pode ocorrer por qualquer contato pele a pele com as lesões, seja na fase inicial ou em crosta, a chamada casquinha.

O Ceará já lidou com a mpox antes

O boletim epidemiológico de mpox no Ceará (acesse aqui) aponta que a doença teve maior incidência em 2022 e 2023. Contudo, segundo Luís Arthur, a busca por informações sobre o tema não foi tão intensa naquele período quanto é agora. Em 2022, o Brasil ultrapassou a marca de 10 mil casos da doença, sendo 599 deles registrados no Estado.

O cenário atual é controlado, sem casos confirmados pela Secretaria de Saúde. A recomendação do especialista é que a população se atente aos sintomas clássicos da doença.

“Principalmente se você for uma pessoa que está na população de risco, pois a chance de desenvolver a forma grave da doença é maior. A ameaça de surto de doenças infecciosas sempre existe, e elas são imprevisíveis”, alerta.

Ele ainda destaca a importância de se proteger na hora de ter relações sexuais ou um contato físico prolongado com pessoas que apresentam feridas cutâneas.

No início, elas podem ser parecidas com a varicela, a chamada catapora, começando como “bolinhas” vermelhas que evoluem para bolhas “umbilicadas”, com uma pequena depressão central, até formarem crostas.A doença para de ser transmitida pelo contato com as lesões quando a “casquinha” cai e o ferimento cicatriza. Em casos comuns, os sintomas desaparecem sozinhos em duas a quatro semanas.