
O Ceará está entre os estados brasileiros com maior crescimento percentual de feminicídios de 2021 a 2025, de acordo com a nota técnica publicada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nesta quarta-feira, 4.
O Estado teve aumento de 49,3% de casos no período. Foram 31 feminicídios em 2021. Em 2022, foram registrados 29 casos. Já em 2023, o número cresceu para 42, se mantendo quase igual em 2024, com 41 crimes. Em 2024, subiu novamente e chegou a 47.
Apenas os estados do Amapá (120,3%), São Paulo (96,4%) e Rondônia (53,8%) tiveram crescimentos maiores no período analisado pela nota técnica.A taxa de feminicídios por 100 mil mulheres também aumentou no Ceará, indo de 0,7 em 2021 para 1 em 2025.
Na sequência, entre 2022 e 2023 e entre 2023 e 2024 o crescimento arrefeceu, ficando na ordem de 1% ao ano. Entretanto, de 2024 a 2025 observou-se um salto novamente, dessa vez de 4,7%.
Para o Fórum, o aumento não pode ser atribuído apenas ao aprimoramento de registros. A pesquisa aponta que houve uma redução de homicídios de ambos os sexos nos últimos anos, enquanto os feminicídios permanecem crescendo.
“O aumento da letalidade nesse contexto sugere dificuldades em interromper trajetórias de violência já conhecidas pelas instituições e aponta para limites na capacidade de prevenção, proteção e resposta do Estado antes que a violência alcance seu desfecho fatal”, afirma.
Essa violência é majoritariamente cometida pelos companheiros das vítimas, sendo eles os autores de 59,4% dos feminicídios do Brasil entre 2021 e 2024. Os ex-companheiros são 21,3% dos algozes. Outros familiares respondem por 10,2% dos casos.
Isso quer dizer que 8 em cada 10 feminicídios foram praticados por homens que mantinham ou já tinham mantido vínculos afetivos com a vítima. Apenas 4,9% das mulheres foram mortas por desconhecidos.
A nota técnica também informa que a maior parte dos casos ocorre na residência da vítima (66,3%). A via pública aparece em segundo lugar, com 19,2% dos registros, enquanto estabelecimentos comerciais ou financeiros (3,4%), áreas rurais (2,2%), sítios e fazendas (2,0%) e hospitais (1,4%) representam percentuais significativamente menores.
“A centralidade da residência como cenário do crime é mais um elemento que mostra que estamos diante de uma violência enraizada no cotidiano doméstico, no interior de relações afetivas e familiares”, diz o texto do estudo.