
O nascimento de uma criança, que geralmente representa um momento de alegria para as famílias, terminou em luto para um casal no município de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). A recém-nascida Ana Luiza morreu após complicações registradas durante o parto realizado na Maternidade Santa Terezinha, localizada no bairro Marechal Rondon. A família denuncia demora no atendimento e possível negligência médica.
Segundo o relato do pai da criança, o barbeiro Juan Mark, a esposa dele, Beatriz Rodrigues, estava grávida e começou a sentir as dores do trabalho de parto. O casal procurou atendimento na unidade hospitalar por volta do meio-dia. Após avaliação inicial, a equipe médica informou que a gestante passaria por uma cirurgia cesariana às 17 horas do mesmo dia.
No entanto, o procedimento não foi realizado no horário previsto. De acordo com a família, outras pacientes foram atendidas antes devido à gravidade dos casos, e o parto de Beatriz acabou sendo adiado.
Conforme o relato do pai, durante a tarde e início da noite não houve confirmação de quando a cesariana seria realizada. Ao questionar a equipe da maternidade sobre a demora, ele afirma ter sido informado por enfermeiras que o médico estava em horário de descanso ou fora da unidade.
Durante esse período, Beatriz permaneceu internada, recebendo medicação e soro enquanto aguardava a realização da cirurgia. Segundo Juan, a esposa chegou à unidade com contrações fortes e apresentava sangramento.
“Foi um momento muito tenso. Minha esposa passou nove meses esperando por esse momento e, no final, aconteceu isso. A cirurgia estava marcada para cinco da tarde, mas só foi feita depois das dez da noite”, relatou o pai.
O procedimento cirúrgico ocorreu apenas após as 22 horas. A bebê Ana Luiza nasceu às 23h14.
Segundo o relato da família, a demora para a realização da cesárea teria provocado complicações durante o parto. A criança teria defecado dentro da bolsa amniótica e aspirado o líquido contaminado.
Após o nascimento, a recém-nascida apresentou dificuldades respiratórias. Ainda conforme o pai, a bebê recebeu os primeiros cuidados na própria maternidade, incluindo aspiração manual para retirada de secreções.
De acordo com o relato, o quadro exigia transferência imediata para uma unidade hospitalar com estrutura de atendimento neonatal especializado. No entanto, a transferência teria ocorrido apenas na manhã seguinte.
Ana Luiza foi encaminhada por volta das 7 horas da manhã para o Hospital Infantil Albert Sabin, em Fortaleza. No entanto, segundo a família, a criança morreu logo após dar entrada na unidade.
O pai afirma que, no hospital de referência, profissionais teriam informado que o quadro da recém-nascida exigia transferência imediata após o nascimento.
Segundo o relato de Juan, ele foi informado de que, caso a transferência tivesse ocorrido mais rapidamente, haveria possibilidade de sobrevivência da criança. A informação relatada pela família ainda deverá ser confirmada por investigação oficial.
“Eu só quero justiça pela minha filha. Não quero que outras famílias passem por isso”, afirmou o pai.
Secretaria de Saúde abre procedimento para apurar atendimento
Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Saúde de Caucaia informou que manifesta profundo pesar pelo falecimento da bebê e solidariedade à família neste momento de dor.
A gestão municipal informou ainda que foi determinada a abertura de um procedimento administrativo interno para apuração detalhada das circunstâncias relacionadas ao atendimento realizado na maternidade.
Segundo o comunicado, todos os registros assistenciais e médicos desde a chegada da gestante à unidade estão sendo analisados pelas instâncias competentes com o objetivo de esclarecer os fatos.
A direção da unidade hospitalar também informou que disponibilizou à família acompanhamento das equipes de Serviço Social e Psicologia para oferecer acolhimento e suporte neste momento.
A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que o caso será apurado com transparência e responsabilidade e reforçou o compromisso com a qualificação permanente da assistência prestada à população.
O resultado da investigação administrativa deverá apontar se houve falhas ou negligência no atendimento prestado à gestante e à recém-nascida. Enquanto isso, o caso segue sendo acompanhado pela família, que cobra esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte da bebê.